Uma jovem publicitária em Espanha foi recusada para um emprego por não ser um homem. De acordo com o site do jornal espanhol ABC, Carla Forcada candidatou-se a uma vaga de gestora de carteiras de clientes  na agência de comunicação Impulsa Comunicación. Seguindo as instruções da empresa, Carla mandou um e-mail com o currículo e pouco tempo depois recebeu como resposta um "não", com a justificação de que não seria capaz de exercer a função por ser mulher.

Olá, Carla, agradecemos o seu currículo. Neste momento, estamos em processo de seleção, mas procuramos um rapaz porque as contas em que [essa pessoa] vai trabalhar são [as da] Carglass e da Coca-Cola... e, acredite em mim, precisam de um homem para aguentar o ritmo, as visitas, saber sobre a produção etc. Mas ficamos com o seu histórico profissional para o caso de termos alguma necessidade futura. Obrigado e muita sorte!", dizia o e-mail em que a empresa Impulsa dá uma resposta negativa à publicitária de 25 anos.

 

Incrível que ainda existam empresas que não apoiem a igualdade de género no ambiente de trabalho", escreveu Carla Forcada no Twitter, junto ao print screen do e-mail.

 

Carla Forcada, que vive em Barcelona, não tardou a receber mensagens de apoio de centenas de utilizadores do Twitter e pedidos de entrevista da imprensa. De acordo com a jovem publicar a resposta da Impulsa foi uma forma de mostrar que a discriminação contra mulheres existe no mercado de trabalho e que é preciso denunciá-la.

A repercussão negativa nas redes sociais fez com que Coca-Cola e Carglass se pronunciassem via Twitter.

A Coca-Cola Espanha emitiu um comunicado na rede social para revelar que não vai colaborar mais com aquela agência de comunicação. A empresa acrescentou que só trabalha com agências que possuem políticas de igualdade no trabalho.

A Companhia Coca-Cola não trabalha com a Impulsa Comunicación e rejeita esse tipo de respostas discriminatórias. Contamos com uma política de contratação inclusiva, diversa e igualitária. Lamentamos ver nosso nome relacionado a essa resposta discriminatória e infeliz", diz o tweet publicado pela Coca-Cola Espanha.

 

Após o comunicado da Coca-Cola, a Carglass também manifestou desagrado e pediu desculpa a Carla Forcada. A empresa defendeu que promove a igualdade de género e que atos discriminatórios como os da Impulsa Comunicación não fazem parte dos requisitos da marca.

Olá Carla, pedimos desculpas, pessoalmente a si e a todas as pessoas que [ficaram] ofendidas com essa mensagem, nós também estamos. Já expressámos a nossa posição junto à Impulsa Comunicação. A nossa empresa promove a igualdade de género e atos assim não nos representam", escreveu, também no Twitter, a representação espanhola da companhia.

 

Em declarações ao diário ABC, Pere Téres, diretor da Impulsa Comunicación, garante que a empresa “em nenhuma circunstância” aceita a discriminação.

Lamentamos o mal-entendido. Falei pessoalmente com essa pessoa [autora do e-mail]. Foi resultado de uma atitude precipitada, porque fico muito incomodado em não responder às pessoas que enviam currículo. Nós a [Carla Forcada] convidamos a vir aqui, somos uma empresa transparente, com paridade, mas em nenhum momento se aceita, em nenhuma circunstância, que haja nenhum tipo de discriminação", afirmou Terés.

De acordo com o jornal La Vanguardia, a Impulsa Comunicación enviou um segundo e-mail a Carla Forcada em que lhe disse que havia a possibilidade de a publicitária ser contratada.

"Falamos internamente (além do mais, acho que há uma pessoa que a conhece aqui connosco) e acredito que você poderia encaixar-se noutros projetos. Na semana que vem, ligamos-lhe, você aparece na agência e explicamos-lhe?", dizia o texto.

Carla Focada afirmou ao jornal que "nem respondeu" a esse e-mail. "A empresa entrou em contacto comigo e depois nem sequer se desculpou", disse, a jovem em entrevista.

Atualmente, o site da Impulsa Comunicación deixou de estar online, com a indicação que está indisponível para "trabalhos de manutenção".