Uma médica espanhola de 62 anos deu à luz uma menina, com 3,375 quilos, depois de se ter submetido a uma inseminação artificial que lhe custou três mil euros. A criança é o terceiro filho de Lina Álvarez.

O primeiro filho da médica de 62 anos, Exiquio, Xiquito, o único concebido de forma espontânea, tem 28 anos e sofre de paralisia cerebral. O segundo, Samuel, concebido também por fecundação in vitro, tem dez e nasceu quando ela tinha 52 anos, uma década depois de passar por uma menopausa muito precoce. Agora, a tão aguardada menina, que tem o mesmo nome que a mãe, nasceu há uma semana no Hospital Universitário Lucus Augusti, na cidade galega de Lugo, depois uma cesariana programada.

"Sou a pessoa mais feliz do planeta", disse aos jornalistas a mulher, que se torna assim também na mãe mais velha da Europa.

 

“Estou muito agradecida à vida por me dar esta coisinha tão linda”, acrescentou, à saída do hospital de Lugo, de onde teve alta esta terça-feira.

De acordo com o jornal espanhol El País, depois de outros clínicos se terem negado a realizar o procedimento, um médico de Madrid, que prefere manter a anonimato, implantou um embrião doado.

Apesar de a lei espanhola não impor limites etários às mulheres que recorrem a uma técnica de Procriação Medicamente Assistida, existe um pacto entre os especialistas da área que desaconselha a aplicação a mulheres com mais de 50 anos, explicou Lina Álvarez, que trabalha no serviço de urgências de Palas de Rei, na província de Lugo.

Tal como a espanhola, a lei portuguesa que regula a Procriação Medicamente Assistida não estabelece nenhum limite etário para as mulheres que querem submeter-se a estas técnicas.

De acordo com a médica, o seu útero foi previamente preparado com estrogénios e o embrião e o óvulo foram doados. As probabilidades de dali resultar uma gravidez eram de apenas 6%, mas Lina Alvarez conseguiu engravidar à primeira.

Dizendo-se pouco preocupada com o debate que se gerou em torno da gravidez por causa da idade que tem, Lina Álvarez garantiu ter tido uma gestação “perfeitamente normal”, marcada apenas pela hipertensão na fase final, o que levou a que a cesariana fosse antecipada para as 36 semanas.

"A natureza deixa a mulher sem óvulos, mas o resto do corpo continua preparado para a gravidez", afirmou Lina Álvarez ao defender a decisão polémica que tomou.

“É certo que quando a minha filha tiver 30 anos eu terei 92, mas então ela já estará criada, a esperança de vida é cada vez maior e eu tenho saúde suficiente”, declarou ao El País. Antes, a médica recordou que hoje “são muitos os avós que assumem o encargo dos netos porque os pais não podem”.