A «Marcha del Cambio» ou «Marcha da Mudança», organizada pelo partido Podemos, está a decorrer este sábado, em Madrid, e eram muitos os milhares de pessoas que se concentravam na Praça Cibeles, faltava ainda uma hora para a manifestação começar. O bom tempo está a ajudar, conforme o próprio Podemos quis dar conta no Twitter:
Frases como «Rajoy escuta, Espanha está em luta» e «Crer é Poder, Podemos», em cartazes pintados de roxo, enchem a Praça Cibeles desde antes das 11:30 locais (10:30 em Lisboa), hora de arranque da concentração.

 
Pablo Iglesias aproveitou a vitória do Syrisa, nas eleições da Grécia do passado domingo, para dizer que, neste dia 31 de janeiro, começaria a contagem decrescente para que o atual Governo de Espanha, formado pelo PP, saísse do poder.

Além dos milhares que enchem a Praça Cibeles, são muitos também aqueles que se encontram concentrados na Calle de Alcalá, frente ao Banco de Espanha.

O Podemos está, assim, a medir as suas forças, uma semana depois da vitória do partido de esquerda Syriza, nas eleições da Grécia, um partido tido como radical. Recentemente, há dois meses, o líder do Podemos Pablo Iglesias defendeu, em entrevista à TVI24 e ao jornal «Público» que «é fácil imaginar» um «Podemos» em Portugal
 
A «Marcha da Mudança» conta com a participação da líder do Bloco de Esquerda. Aos jornalistas, Catarina Martins disse que as eleições gregas abriram um novo caminho na Europa:

«Estamos a viver um virar de página na Europa. Nada ficará na mesma depois da Grécia, há pela primeira vez um governo eleito contra a austeridade. Mas para que haja mudança precisamos que essa luta contra a austeridade se estenda a outros países»


O BE é a força política mais próxima do líder do recém-partido que lidera as sondagens em Espanha. O Livre é uma «particularidade» e o PS «depende deles», segundo o líder do Podemos, que tem a intenção de «pôr a carne toda no assador», ou seja, avançar com movimentos semelhantes por toda a Europa do Sul. Este sábado é, por isso, um dia de teste, aproveitando a onda «Syriza». Catarina Martins confia que Espanha será a próxima a «conseguir um governo contra a austeridade».

«Julgo que os países são diferentes - a realidade na Grécia é diferente da realidade de Espanha, Portugal e da Irlanda -, mas se há alguma esperança para a Europa, para o futuro, ela passa pelos países do Sul, que foram tão martirizados com memorandos da Troika». Estes países «têm populações que não foram derrotadas, que sabem fazer frente à finança, que dizem chega de alternância, chega do rotativismo, chega dos mesmos de sempre» a ser eleitos


«A Grécia levantou-se, a Espanha está a levantar-se, Portugal também terá de fazer o seu caminho. São percursos diferentes. Mas em Portugal, quem tem hoje 18, 20, 30 anos olha para o seu país e diz 'Eu quero viver aqui' e sabe que tem de fazer parte deste movimento dos países dos Sul da Europa, contra a austeridade e o rotativismo», concluiu. Presente na marcha está igualmente a deputada Marisa Matias.

O aparato policial na manifestação não é muito intenso, mas há polícias em frente aos principais edifícios ligados ao poder local, como a Câmara Municipal de Madrid, bem como um helicóptero a sobrevoar em permanência o espaço da manifestação, que decorre com tranquilidade.

Juntaram-se à marcha pessoas vindas de todos os lados de Espanha. O Podemos conseguiu reunir 260 autocarros, com 40 lugares cada um, segundo a Lusa.