O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, contestou, esta terça-feira, o anúncio feito pelos partidos separatistas da Catalunha, Junts pel Sí e CUP, que lançaram a primeira pedra para iniciar um processo de independência da região, ao aprovarem uma resolução conjunta nesse sentido no parlamento catalão.

Os dois partidos querem fazer da Catalunha uma República, segundo se lê no documento, de acordo com a AFP.

Em resposta, Mariano Rajoy, numa declaração feita no Palácio da Moncloa, em Madrid, afirmou que o governo vai recorrer a todos os mecanismos jurídicos e políticos para salvaguardar o respeito pela lei e o cumprimento da Constituição espanhola.

Segundo fontes do El País, Rajoy fez este anúncio após falar ao telefone com os líderes dos partidos da oposição, Pedro Sánchez, do PSOE, e Albert Rivera, do Ciudadanos. Quando Mariano Rajoy falou ao país, já tinha, assim, garantido o apoio destes partidos. O jornal também revela que o chefe do governo não falou com Pablo Iglesias, líder do Podemos.
 
A vice-presidente, Soraya Sáenz de Santamaría, comanda as operações para avaliar todas as possibilidades jurídicas de travar o processo. O primeiro passo será dado pelo PP da Catalunha que vai entregar uma petição de reavaliação da decisão no parlamento regional.

O ministro da Justiça também veio a público falar na impugnação do processo. Mas, garantida está já a resistência dos dois partidos com maioria no parlamento regional. Junts  pel Sí e CUP já avisaram que não vão obedecer a ordens judiciais que pretendam suspender o processo. Os próximos tempos adivinham-se tensos. Afinal, aqueles dois partidos, recém-legitimados nas eleições de 27 de setembro, têm 72 dos 135 lugares do parlamento de Barcelona.
 
Na sua comunicação, Mariano Rajoy quis tranquilizar os catalães. “Aqueles que quiserem separar e dividir a Catalunha devem saber o que vão ter pela frente. Vão ter de enfrentar a lei e um governo de uma nação de cidadãos livres e iguais, e que a justiça prevalecerá”, disse Mariano Rajoy.  Olhos postos nos ventos que virão de Espanha e nas eventuais mudanças para o país, para a monarquia e para a Europa.