Quatro pessoas estão hospitalizadas em Madrid, Espanha, devido ao primeiro caso de contágio do ébola fora de África, informou o Hospital La Paz-Carlos III, citado pela Europa Press. 

Desses quatro pacientes, apenas a auxiliar de enfermagem de 40 anos é um caso confirmado do vírus. «Os quatro estão hospitalizados em quartos de alta segurança, totalmente isolados», disse José Ramón Arribas, coordenador da Unidade de Infeciosas deste hospital de Madrid.

Outros dois casos são considerados suspeitos, sendo um deles o marido desta auxiliar, cujos resultados dos testes ainda não são conhecidos, e o outro um turista que viajou de um dos países mais afetado pela doença.

O outro caso é uma enfermeira que foi hospitalizada de prevenção, apesar de não apresentar febre, uma vez que esteve em contacto com o vírus.

Segundo as últimas informações, a auxiliar de enfermagem com ébola está estável e o seu estado de saúde está «a evoluir favoravelmente». A paciente está a receber tratamento com um soro híper-imune de um dador anónimo, contagiado com ébola, e que gerou depois anticorpos.

Todas as outras 22 pessoas identificadas que estiveram em contacto com esta mulher e ainda mais 30 profissionais deste hospital estão a ser vigiados (um total de 52), sendo obrigados a medir a temperatura duas vezes ao dia nos próximos 21 dias.

A auxiliar de enfermagem  fez parte da equipa que tratou os dois religiosos espanhóis que foram repatriados após contraírem o vírus e que vieram a falecer já em Madrid. 

A mulher de 40 anos, sem filhos, estava de férias quando começou a sentir os sintomas da doença e, esta segunda-feira, foi transportada de ambulância para o hospital, onde veio a confirmar-se o diagnóstico de ébola.

Os trabalhadores do hospital  Carlos III começaram a divulgar imagens que mostram que os fatos que os profissionais usaram durante o atendimento aos dois pacientes com ébola não eram apropriados, devido, segundo alegam, à falta de ventilação e de impermeabilidade total:



O diretor do Hospital Carlos III admitiu que o caso foi uma «surpresa» e que está a investigar o que falhou. «Estamos preocupados, mas tranquilos. É uma questão que nos apanhou de surpresa. Procuramos rever todos os protocolos estabelecidos, melhorar em tudo e sobretudo evitar que algum contacto desenvolva a doença», afirmou Rafael Perez Santamaria, em conferência de imprensa.

A Comissão Europeia já exigiu explicações ao governo espanhol. Segundo o porta-voz Frederic Vincent, «houve obviamente um problema» e este caso deve servir de «lição» aos outros Estados-membros. A mesma fonte referiu, no entanto, ser «altamente improvável» uma epidemia de ébola na Europa.