Betsy Davis, uma artista plástica norte-americana da Califórnia que sofria de uma doença terminal desde 2013, decidiu dar uma festa para os amigos e familiares antes de morrer.

Havia apenas uma regra: não era permitido chorar na frente dela.

Besty Davis sofria de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), uma doença degenerativa para a qual ainda não existe cura e que, com o passar do tempo, compromete funções básicas como andar, falar e comer.

Prefiro ser livre a estar sepultada no meu próprio corpo", explicou Davis, segundo a imprensa internacional.

Como tal, a artista tomou uma decisão: não prolongaria o seu sofrimento e iria recorrer à eutanásia.

Mas Davis não queria partir sem se despedir dos seus entes mais queridos. Como tal, no início do mês passado, convidou os seus amigos e familiares para uma festa de despedida, uma reunião de dois dias com as pessoas de quem mais gostava.

Caros participantes do meu renascimento, vocês são todos muito corajosos por me deixarem partir", podia ler-se naquele convite especial e algo incomum."As circunstâncias desta festa são diferentes das de qualquer outra a que tenham ido. Requer estabilidade emocional e mente aberta", explicava no convite.

A festa decorreu ao longo do fim-de-semana de 23 e 24 de julho e juntou cerca de 30 pessoas que viajaram das mais diversas partes do país para estarem com ela uma última vez.

Foi difícil, para mim e para todos os convidados, processar aquele convite. Mas não havia dúvidas de que estaríamos lá para ela", confessou Niels Alpert, um amigo de Davis, de acordo com o The Guardian.

Naquela festa, onde a única regra era não chorar na frente da anfitriã, Betsy Davis e os amigos conviveram, riram, comeram, beberam, viram o filme preferido dela e, finalmente, despediram-se. Segundo Alpert, antes do último adeus, os amigos deram-lhe um beijo e tiraram fotografias juntos. Depois, Davis foi levada para junto das montanhas, onde lhe foram administrados os medicamentos prescritos para dar um fim à sua vida. Até então, observou o pôr-do-sol.

Besty Davis foi uma das primeiras pessoas a passar por este procedimento na Califórnia, desde que a possibilidade de realização da prática entrou em vigor, há cerca de dois meses.

Kelly Davis, irmã de Betsy, escreveu um artigo para o portal Voice of San Diego, onde explicou que a irmã tinha, nos últimos três anos, perdido a capacidade de trabalhar, enquanto artista plástica que era, devido à doença.

Foi, obviamente, difícil para mim. Ainda é", explicou Kelly Davis em relação à forma como a irmã morreu, que abalou todos os convidados.

Ao assumir o controlo, ela tornou a sua morte numa obra de arte", contou Alpert.