A ambulância que transportou a auxiliar de enfermagem espanhola diagnosticada com o vírus do ébola, Teresa Romero, fez o transporte de outros sete doentes, antes de a doença ter sido confirmada, segundo o «El País».  

Os dois funcionários do veículo alertaram as autoridades de que a paciente deveria ter a doença, mas o aviso não foi atendido, porque Romero apresentava 37º de febre (o alarme só acontece em casos acima dos 38,6º).

Eram sete da manhã de segunda-feira quando a empresa de ambulâncias Safe Eurolimp recebeu um «aviso urgente» para o transporte de uma mulher para o Hospital de Alcorcón, em Madrid . Dos dois tipos de veículos disponíveis, os modelos convencionais e os especiais para pacientes com doenças contagiosas, foi escolhida a primeira opção, pois não havia a informação de que se tratava de uma mulher com o vírus do ébola.

Apesar de a ambulância ter seguido para a residência de Romero, os funcionários nunca tinham visto uma mensagem tão estranha: «Febril, mas descarta-se a hipótese de ébola». O chefe da empresa de ambulâncias acabou por pedir mais informações ao Centro Coordenador de Urgências de Saúde, que descartou a hipótese do vírus.

Ainda assim, quando os funcionários chegaram a casa da auxiliar de enfermagem decidiram tomar precauções. Apenas um dos homens subiu à residência e utilizou os materiais de proteção que tinha disponíveis: luvas, uma máscara e uma bata de papel.


Mal entrou na vivenda, o funcionário foi logo avisado pela própria Romero que a mulher tinha cuidado de uma das vítimas mortais do ébola e que, possivelmente, também estaria infetada. O funcionário terá ficado assustado e telefonou de imediato para o centro coordenador, mas, do outro lado, insistiram que o transporte da doente deveria ser realizado.

Os funcionários conduziram a doente ao hospital e aí Romero foi levada para uma área isolada.

Depois de terem abandonado a unidade hospitalar, os indivíduos decidiram pedir esclarecimentos ao hospital, que lhes garantiu uma resposta quando houvesse mais informações. Durante as 12 horas seguintes, não receberam qualquer tipo de contacto.

Quando a doença foi confirmada, a ambulância já tinha feito o transporte de outros sete doentes, sem ter sido desinfetada. Desde então, os funcionários permanecem nas suas casas e, caso tenham febre acima dos 38,6 graus, devem chamar as autoridades.

Esta parece ser apenas uma das histórias que retratam falhas nos protocolos de segurança para o ébola, em Espanha.

Juan Manuel Parra, médico que tratou Romero durante 16 horas, admitiu que o fato de proteção que vestiu quando cuidava da doente tinha «as mangas curtas».

Parra explicou ainda que só soube da confirmação da doença pela comunicação social e que continua a fazer a sua vida habitual, inclusivamente a tratar doentes.