Emmerson Mnangagwa tomou posse esta sexta-feira como presidente provisório do Zimbabué, em substituição de Robert Mugabe que apresentou a demissão na sequência de um golpe de Estado militar.

Mangagwa, de 72 anos, ex-vice-presidente e líder da União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU-PF(partido no poder) desde o passado domingo, prestou juramento perante milhares de pessoas reunidas num estádio de Harare.

Eu, Emmerson Dambudzo Mnangagwa, juro que enquanto presidente da República do Zimbabué serei leal à República do Zimbabué e vou obedecer, apoiar e defender a Constituição e as leis do Zimbabué”, declarou o novo chefe de Estado.

Robert Mugabe, 93 anos, não esteve presente na cerimónia de tomada de posse.

O jornal de Harare The Herald noticia esta sexta-feira que Mnangagwa garantiu total segurança e bem-estar ao antigo chefe de Estado, que se manteve no poder desde 1980.

Mugabe apresentou a demissão na terça-feira depois do golpe de Estado de 14 de novembro, evitando o processo de destituição parlamentar iniciado pelos deputados da ZANU-PF.

Dezenas de milhares de pessoas reuniram-se no estádio de Harare para assistir à cerimónia de tomada de posse de Emmerson Mnangagwa.

A cerimónia de tomada de posse do novo presidente teve lugar três dias depois da histórica demissão de Robert Mugabe ao fim de 37 anos no poder e sob pressão do exército, da rua e do partido, que convocou todos os cidadãos do país a irem ao Estádio Nacional a partir das 08:30 (06:30 em Lisboa) para a investidura.

Mugabe não assistiu à posse de Mnangagwa e responsáveis da ZANU-PF disseram que o ex-presidente vai ficar no país, depois da promessa das autoridades de que se encontra seguro e o legado como herói da independência do Zimbabué será mantido, indicou a agência noticiosa Associated Press.

Durante muito tempo considerado o delfim de Mugabe, Emmerson Mnangagwa foi demitido a 6 de novembro - por intervenção da então primeira-dama, Grace Mugabe, que esperava suceder ao marido - e abandonou o país por razões de segurança.

O seu afastamento provocou na noite de 14 para 15 de novembro um golpe dos militares, que se opunham à chegada ao poder de Grace Mugabe.

Relançar economia e combater corrupção

No discurso de tomada de posse, Emmerson Mnangagwa prometeu esta sexta-feira promover o investimento estrangeiro e combater a corrupção.

A cultura do governo tem de mudar e tem de mudar imediatamente”, disse o novo Presidente, referindo-se aos 37 anos de poder do seu antecessor, Robert Mugabe.

Após o juramento, o chefe de Estado provisório disse que está empenhado em relançar a economia do Zimbabué e procurar investimento para o país, que se encontra em crise profunda e sujeito a sanções internacionais.

O novo presidente prometeu indemnizar os agricultores que perderam as terras depois das decisões de Mugabe e que provocaram a instauração de sanções económicas internacionais contra o Zimbabué.

Mesmo assim, não forneceu detalhes sobre assunto limitando-se a dizer que as medidas que foram tomadas sobre as terras e os agricultores "não podem ser alteradas".

Emmerson Mnangagwa afirmou também que vai respeitar a realização de eleições “democráticas” marcadas para 2018 acrescentando que o país vai conseguir “renovar-se” após os 37 anos de Robert Mugabe no poder.

O novo chefe de Estado frisou que o “país não deve permanecer refém do passado” apesar de ter afirmado que o Zimbabué deve prestar “tributo” a Robert Mugabe, numa parte do discurso que não foi aplaudida pelos milhares de pessoas que se encontram presentes no estádio, onde decorrem as cerimónias.

Mnangagwa acrescentou que aceita o poder de forma “profundamente humilde”, após a série de acontecimentos que começaram com uma ação militar no dia 14 de novembro e que culminaram terça-feira, quando Mugabe apresentou a demissão, na mesma altura em que o Parlamento se preparara para iniciar um processo de destituição através de uma moção de censura.

Entre outros, estiveram presentes na cerimónia de tomada de posse os chefes de Estado de Moçambique, Botsuana e Zâmbia. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma não esteve presente porque recebe a visita oficial do novo presidente angolano.

Emmerson Dambudzo Mnangagwa tornou-se esta sexta-feira no terceiro presidente da história do Zimbabué, país que acedeu à independência em 1980 após a então Rodésia de Ian Smith, e enfrenta numerosos desafios políticos e económicos.