Uma aventureira britânica foi brutalmente assassinada no Brasil por um grupo de traficantes conhecido no Amazonas como “ratos do rio”. A mulher, de 43 anos, que viajava sozinha de caiaque e estava acampada numa ilha, foi morta junto à sua tenda, escreve o The Guardian, nesta quinta-feira, que cita fonte da polícia brasileira.

Emma Kelty foi roubada, baleada duas vezes e esfaqueada antes de ser atirada ao rio, onde o seu corpo ainda não foi encontrado.

Os atacantes levaram dinheiro, telemóveis, um tablet, uma câmara fotográfica e um drone, que tentaram vender. Terão pensado que era peruana e que trazia drogas consigo, sendo aquela parte do rio, Solimões, uma rota muito utilizada por traficantes, nomeadamente da Colômbia e do Peru.

A ex-professora primária deixou o ensino para explorar o mundo e angariar fundos para três instituições, duas de investigação (cancro e fibrose cística) e uma terceira de ensino em África. Há algum tempo que se dedicava a viajar de caiaque, desafiando a Natureza e desafiando-se em nome de causas maiores.

A última partilha de Emma no Facebook foi no passado dia 13, já depois de ter gozado com o facto de se ter cruzado com 30 homens em barcos a motor, munidos de espingardas e flechas. Noutro post na rede social, a britânica chegou também a brincar com o facto de ser roubada e morrer, antecipando o perigo. “Portanto, em ou perto de Coari, o meu barco será roubado e eu serei morta. Boa!”, escreveu.

Nesse mesmo dia lançou um foguete de sinalização, mas nem a polícia nem a marinha conseguiram encontrá-la.

Mas um dos cabecilhas dos “ratos do rio” que matou Emma também perdeu a vida. Foi morto na noite de terça-feira por elementos de um gangue rival, por causa dos pertences de Emma

Já o outro homicida foi detido pelas autoridades na quarta-feira, tendo confessado o seu envolvimento.

Outras cinco pessoas foram consideradas cúmplices do homicídio da cidadã britânica, estando duas a monte.