A oposição na Venezuela adiou a manifestação prevista para hoje, dia em que a Assembleia Constituinte, eleita no domingo, toma posse. A mudança de planos foi comunicada por um dos líderes opositores, Freddy Guevara. Este adiamento é por apenas um dia, já que o protesto ficou reagendado para amanhã. As eleições foram marcadas por episódios de violência, mortes e alegada fraude eleitoral. A tensão política e social continua a escalar no país.

Está então prevista para hoje a instalação da Assembleia Constituinte no palácio federal legislativo, o mesmo onde funciona a Assembleia Legislativa. E, com esta entrada, também nasce uma dúvida: qual o lugar que vão ocupar os representantes de ambas as câmaras.

Fica em aberto a possibilidade dos deputados do parlamento, que são maioritariamente da oposição, serem expulsos à força.

O presidente da Assembleia Legislativa já tinha dito que os venezuelanos enfrentam a "maior luta" que já houve na América latina. Julio Borges lembrou que 40 países não reconhecem a Constituinte, incluindo toda a união europeia e américa latina.

Ontem, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu uma negociação política urgente no país.

Entretanto, e depois de dois líderes da oposição terem sido levados pela polícia para parte incerta, o governo chileno anunciou que dois juízes, nomeados pelo parlamento para um novo tribunal supremo, se refugiaram na residência do embaixador do Chile em Caracas.

Beatriz Ruiz e José Fernando Nunez entraram na residência do embaixador chileno em Caracas à procura de proteção, de acordo com uma mensagem divulgada na rede social Twitter. As autoridades chilenas já garantiram que, se for pedido, será concedido asilo aos dois venezuelanos.

Vivem atualmente cerca de 500.000 portugueses na Venezuela, que têm reportado a escassez de bens que é visível no país. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considera "exemplar" postura dos portugueses no país.

A União Europeia pode não reconhecer as eleições de domingo. Portugal já veio dizer que subscreve a declaração do Serviço Europeu de Ação Externa da UE.