Depois de seis anos em recessão económica, a Grécia deverá crescer quase 3% em 2015, segundo as previsões de outono da Comissão Europeia. O prenúncio até parece animador, mas as estimativas indicam outros valores menos satisfatórios: o desemprego ainda deverá rondar os 25% e a dívida pública não baixará mais que os 170% do PIB.

Já lá vão dois resgates financeiros, desde que a crise estalou, em 2010. 

O governo grego teve de recorrer, nesse ano, a um programa de assistência financeira do Fundo Monetário Internacional que ultrapassou os 100 mil milhões de euros. Ainda assim, o valor revelou-se insuficiente e o país teve de pedir um segundo resgate dois anos depois, em 2012. 

Assim, nos últimos quatro anos, o país esteve mergulhado num clima de grande austeridade que incluiu um vasto conjunto de privatizações. Um cinto apertado que deu origem a intensos protestos, um pouco por todo o país.

Mas uma análise à evolução dos indicadores económicos desde 2010 mostra uma economia em declínio, que nem a forte austeridade conseguiu salvar.

Comece-se por verificar os valores relativos ao crescimento de PIB.

Em 2010, o crescimento do PIB ficou-se pelos -5,4% e em 2013 voltou a ser negativo, -3,3%. As previsões deste ano são, no entanto, bastante otimistas, indicando um crescimento de quase 3% para 2015. Um valor que para muitos economistas até pode ser enganador, uma vez que se baseia na competitividade a nível internacional e no aumento das exportações.





O défice orçamental acompanha o padrão do crescimento do PIB.

Em 2010 atingiu os 11,1% e em 2013 voltou a aumentar para 12,2%. Este ano o défice deverá ficar-se pelos 0,1%.






Mas no caso da dívida pública, os dados são bastante alarmantes. 

Em 2010, o valor correspondia a 146% PIB e em 2013 aumentou para 174,9%. Em 2015, a dívida não deverá baixar mais de 170%, um valor que vários analistas consideram preocupante e, mais do que isso, insustentável.




E se a dívida vai continuar a preocupar o governo grego, o mesmo se poderá dizer em relação ao desemprego que em 2013 atingiu o recorde de 27,5% e em 2015 deverá rondar os 25%. 



Foi no fundo o descontentamento perante os resultados das políticas de austeridade que levou ao crescimento do partido radical de esquerda Syriza. Um movimento político liderado por Alexis Tsipras que até fez da reestruturação da dívida uma das suas bandeiras para as eleições.

Depois da derrota parlamentar, de 29 de dezembro, para a escolha do candidato presidencial proposto pelo governo de coligação Nova Democracia/PASOK, de Antonis Samaras, os eleitores gregos vão às urnas este domingo decidir o próximo governo do país.

E, independentemente do partido que sair vencedor, os desafios que o país enfrenta em termos económicos são de grande complexidade.