A eleição do presidente grego não passou no Parlamento esta segunda-feira. Está assim aberto caminho a novas eleições.  Stavros Dimas, antigo comissário europeu, era o único candidato na corrida, mas, falhou a eleição para presidente. Precisava de um mínimo 180 votos a favor do universo de 300 deputados. Conseguiu 168, o mesmo número da votação anterior. 
  
De nada valeram os apelos do primeiro-ministro, Antonis Samaras, no fim de semana, já que a instabilidade política traz incerteza aos mercados numa já debilitada Grécia, alvo de ajuda internacional.  «O povo grego não quer eleições antecipadas», afirmou o governante, mas estas vão mesmo ter que se realizar. 
 
O que acontece agora?
  
Falhada pela terceira vez a eleição, manda a lei grega que sejam convocadas eleições, estando nas mãos dos helénicos escolher o rumo para o país nas urnas a 25 de janeiro.

As eleições legislativas antecipadas são a hipótese de afirmação do partido de extrema-esquerda, Syriza - que quer renegociar o acordo com a União Europeia e o FMI e reduzir as medidas de austeridade -, e que se encontra bem posicionado nas sondagens. 
Na Grécia, o partido vencedor das legislativas fica com a maioria assegurada, sendo possível observar o seu possível crescimento no gráfico abaixo,
 
Com a forte possibilidade do Syriza poder formar Governo, emerge o medo dos mercados e instituições europeias, face à previsão de uma «situação de instabilidade» política.

Exemplo disso é a bolsa grega que esta segunda-feira, dia em que os deputados elegeriam, pela terceira vez, o sucessor do atual presidente Karolos Papoulias, de 85 anos, que termina o mandato em março, desvalorizou 10,54%, com os investidores a preverem um novo falhanço que acabou por se verificar. 

Qual a importância do Syriza?

O Syriza, partido da oposição, tornou-se, nas eleições parlamentares de 2012, o segundo maior partido a seguir à Nova Democracia de Samaras, e congratulou-se em maio deste ano com a vitória das eleições europeias.

A crescente popularidade deve-se principalmente à forte contestação contra a política de austeridade incrementada nos últimos anos, mas também contra a existência de partidos de extrema-direita com assento parlamentar.

Importante frisar que a 8 de dezembro foi prolongada por mais dois meses a influência da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) no país, devido à falta de tempo para concluir a avaliação do programa, que implicaria a não aprovação da última parcela do empréstimo, correspondente a de 7 mil milhões de euros.

Uma vez que a Comissão Europeia pretendia que o programa pudesse estender-se por seis meses, um rumo diferente no Governo ditaria certamente uma posição diferente perante as instituições europeias.

O líder anti-austeridade

 

Desde maio, altura em que o partido venceu as europeias, que o líder do Syriza defende, em nome da coligação governamental de esquerda, eleições antecipadas na Grécia.

Alexis Tsipras já afirmou diversas vezes que a Grécia irá ser a «experiência-piloto» de um Governo de esquerda na Europa, e que conta com os cidadãos para «esmagar a ordem estabelecida», e conquistar a «mudança real» que os gregos querem nas suas vidas depois de «seis anos consecutivos de recessão».

Tsipras, apesar de defender a presença da Grécia na União Europeia, marca-se por uma postura assumidamente anti austeridade, afirmando que é necessário mudar o quadro europeu, e que «há muitas ferramentas para mudar o sistema dentro do sistema».

«O futuro começa agora. Com o novo ano, o nosso país vai virar a página», defende.


Contágio para outros países

As eleições legislativas gregas são o primeiro ato eleitoral que poderá marcar a União Europeia no próximo ano, mas as gerais que terão lugar em Espanha em dezembro de 2015, por exemplo, onde o Podemos ganha força, faz tremer de igual forma o país, e o «furacão Grécia» pode soprar para outros países europeus mais fragilizados e com sede de mudança.

Pablo Iglesias, líder do Podemos, assim como Tsipras, assegura que «a mudança vai chegar em 2015».