A deputada lusodescendente Christine Pires Beaune (PS) conseguiu resistir à "vaga Macron" e foi apurada para a segunda volta das eleições legislativas francesas, enquanto Patrice Carvalho foi logo eliminado e não vai poder cumprir um terceiro mandato na Assembleia.

Face a um cenário em que o PS sofreu uma derrota histórica, a socialista Christine Pires Beaune conseguiu 27,27% dos votos, atrás de Mohand Hamoumou (29,87%), candidato de A República em Marcha! do presidente Emmanuel Macron, e está confiante na segunda volta.

Tenho uma reserva de votos. O candidato de esquerda, da França Insubmissa, teve 15,72% dos votos, mas não se vai apresentar. Por isso, tenho essa reserva de votos que me é favorável", explicou a lusodescendente.

Christine Pires Beaune, que aderiu ao PS em 1998, considerou que "os eleitores julgaram que o PS trabalhou mal nos últimos cinco anos" e há que "reconstruir o partido".

A guerra interna no PS não ajudou. Hoje, vemos o resultado, mas atenção que as ideias não estão mortas e vamos reconstruir qualquer coisa em torno de todos os progressistas. É preciso que todos os que têm ideias de esquerda se juntem para construir um projeto e trabalhar porque o PS se esqueceu de trabalhar nos últimos anos", afirmou.

Presidente cessante do grupo parlamentar de amizade França-Portugal e secretária cessante do grupo parlamentar de amizade França-Angola, a lusodescendente está determinada em "vencer a batalha no terreno com um trabalho de convicção junto dos eleitores para ganhar no próximo domingo".

Quando se pertence a uma família política que só faz 10% dos votos, só podemos ficar dececionados. Não escondi a etiqueta socialista na primeira volta e não a vou esconder agora. Os eleitores que votaram por mim sabem quem eu sou", descreveu a filha de emigrantes da Guarda que chegaram a França no início dos anos 60.

Com uma elevada abstenção na sexta circunscrição de Oise, o deputado comunista Patrice Carvalho não conseguiu passar à segunda volta com 18,86% dos votos, atrás de Carole Bureau-Bonnard (30,04%), candidata Em Marcha!, e de Michel Guiniot (21,02%), candidato do partido de extrema-direita Frente Nacional.

"Fui afetado com a vaga Macron, com A França Insubmissa, mas não estou assim tão desiludido. Pelo menos, vou continuar autarca e conselheiro distrital", afirmou aquele que é, desde 1989, presidente da câmara de Thourotte, a uma centena de quilómetros a norte de Paris.

O lusodescendente de 65 anos recandidatou-se a um assento parlamentar, com as cores do Partido Comunista Francês (PCF), e teve nove adversários, incluindo à esquerda, nomeadamente de A França Insubmissa, Luta Operária e Europa Ecologia - Os Verdes.

Antigo mecânico, o deputado cessante ficou conhecido, em 1997, por se ter vestido com um fato-macaco na Assembleia no primeiro dia de mandato por ser "o único operário eleito" e afirmou à Lusa que "o enterro do PCF - a que aderiu em 1967 - ainda não aconteceu".

Ainda que seja candidatado às legislativas "desde 1978", Patrice Carvalho só teve um assento na Assembleia entre 1997 e 2002 e, a partir de 2012, foi vice-presidente dos grupos parlamentares de amizade França-Portugal e França-Guiné-Bissau.

Além de Patrice Carvalho e Christine Pires Beaune, houve um terceiro lusodescendente no parlamento francês cessante: Carlos da Silva era o suplente do antigo primeiro-ministro Manuel Valls, tendo sido deputado entre 2012 e 2016, passou a assistente parlamentar de Valls quando este regressou ao parlamento, em 2017.