Um filme tão longo que a esta altura já adormeceu muitos dos seus espetadores. Falamos do impasse político em Espanha que continua sem um “The End” à vista. E enquanto muitos espanhóis estarão mais preocupados em gozar as férias e o calor do Verão do que em saber se o seu país já tem uma solução do governo, em Madrid, o Rei Filipe VI fez esta quinta-feira uma nova ronda com os partidos. Do PSOE e do Podemos nada de novo: voltaram a rejeitar viabilizar um executivo de Mariano Rajoy. A novidade veio do Ciudadanos: o partido de Alberto Rivera propôs ao Rei que todas as forças políticas se abstenham para o líder do PP formar um governo minoritário.

Após o encontro com o Rei, Pedro Sánchez foi claro, em declarações aos jornalistas: “Vamos votar contra Mariano Rajoy porque o PSOE não vai apoiar aquilo que quer mudar”.

O secretário-geral socialista atribui ao PP, o partido mais votado nas últimas eleições, de 26 de junho, a responsabilidade de trabalhar para formar governo e, por isso, considerou que Rajoy deverá submeter-se a uma nova investidura. Até porque, frisou, só assim “se põe em marcha o motor da democracia”.

“Essa é a responsabilidade constitucional de Mariano Rajoy, o presidente em funções e líder da força com mais deputados: deve submeter-se à investidura, deve dar o passo em frente.”  

O líder do PSOE lembrou que o PP foi o partido mais votado, mas que os resultados eleitorais demonstraram que há um grande número de eleitores que pretende uma alteração de políticas. Neste sentido, Sánchez entende que Rajoy tem a “obrigação” de oferecer aos seus potenciais aliados outra forma de governar e, consequentemente, outro tipo de propostas.

Não esclareceu, contudo, uma questão: se, caso o líder do PP volte a falhar a investidura, estará ele disposto ou não a tentar formar governo.

Também o Podemos comunicou ao Rei que o partido de esquerda vai dar nova nega ao PP.  Pablo Iglesias voltou a estender a mão a Pedro Sánchez, afirmando que há uma alternativa a um governo de Rajoy. Mas reconheceu que os socialistas não estão interessados numa solução deste tipo.

“Em sete meses aprendi que há muitos setores do PSOE que não nos querem ver na pintura.”

O líder do Podemos descartou ainda a hipótese de entrar num acordo com PSOE e Ciudadanos.

Ao reiterarem que vão votar contra Rajoy, PSOE e Podemos deitaram, assim, por terra uma das soluções apresentadas ao Rei pelo Ciudadanos.

O partido de Alberto Rivera propôs ao Rei duas formas de desbloquear o impasse político: ou a formação de um governo constituído pelo PP, PSOE e Ciudadanos, mas sem Rajoy, ou a viabilização de um executivo minoritário de Rajoy através da abstenção das forças da oposição.

Rivera assegurou ainda que o partido de centro-direita, numa sessão de investidura do líder do PP, se vai ficar pela abstenção, ou seja, não votará a favor.

“Não é o meu governo, não é nele que vamos votar a favor”, frisou.

A ronda de conversações de Filipe VI terminou com o encontro com Mariano Rajoy. O Rei já convocou a presidente do Congresso, Ana Pastor, para a informar do resultado das consultas.

No entanto, com estas premissas, tudo indica que o impasse político deverá continuar e os espanhóis poderão ser chamados às urnas pela terceira vez em menos de um ano. Pelo menos aqui parece haver consenso: novas eleições é algo que todos os partidos pretendem evitar.