Chamam-lhes as eleições mais renhidas de sempre e não é por acaso: os britânicos vão votar esta quinta-feira para um novo parlamento e um novo governo com as sondagens a apontarem para um empate entre conservadores e trabalhistas.

O cenário de uma crise política nos próximos dias parece inevitável, uma vez que o mais certo é haver um  vencedor sem maioria absoluta, ou seja, com necessidade de uma coligação ou de acordos parlamentares para garantir a estabilidade governativa. 

Ou David Cameron, atual primeiro-ministro e líder do Partido Conservador, ou Ed Miliband, líder do Partido Trabalhista, terão muito trabalho nos próximos dias para formar o novo governo.
 
Os especialistas temem que nem um nem outro seja capaz de formar uma “maioria viável” e destacam que o país pode ficar num impasse em relação a temas tão importantes como a saída ou a permanência na União Europeia.

O crescimento do SNP, do UKIP e dos Verdes influenciará certamente o futuro parlamento e governo britânicos. Já o Partido Liberal-Democrata, liderado por Nick Clegg, e que "salvou" Cameron em 2010 ao coligar-se com os conservadores, parece estar a cair nas intenções de voto.

O Partido Trabalhista tem estado em negociações de última hora com os nacionalistas escoceses, conforme revelou à TVI uma deputada, e só os resultados permitirão concluir uma de duas hipóteses: ou Ed Miliband consegue atrair votos do SNP ao mostrar que tem condições para formar governo, ou perde para o Partido Conservador os votos dos indecisos que não querem um reforço do poder do Partido Nacionalista Escocês.

O número de indecisos pode ser mesmo crucial para o desfecho eleitoral e há muitos britânicos que continuam "distraídos" com o nascimento da princesa Charlotte. A bebé real tem tido, aliás, maior destaque nos jornais do que as eleições.

Entre os indecisos também há muitos portugueses, como constatou a equipa de reportagem da TVI que acompanhou a campanha eleitoral feita porta a porta, junto da comunidade portuguesa emigrada em Londres nos últimos dias.

Há 650 círculos eleitorais no Reino Unido e em cada um é eleito um deputado para a Câmara dos Comuns, o que faz com que a campanha seja mais centrada no candidato, na figura, do que nos programas eleitorais.

Certo é que no Reino Unido já se fala na necessidade de alterar o sistema eleitoral, pois nos últimos anos começaram a surgir dificuldades em criar maiorias absolutas, o que tudo indica que também será o caso nas eleições desta quinta-feira.

Para já, ficam a ganhar as casas de apostas, que estão a arrecadar valores recorde com o vencedor destas eleições. Num país conhecido pelo gosto em apostar em quase tudo, é o Partido Trabalhista que vai à frente neste setor.

O essencial sobre as eleições no Reino Unido (infografia)