As urnas em Moçambique abriram esta quarta-feira às 07:00 (05:00 em Lisboa) para as eleições autárquicas que abrangem 53 municípios no país, num ambiente, até agora, de geral tranquilidade.

Um dos primeiros votantes, dos mais de três milhões de eleitores recenseados para estas eleições, foi o Presidente da República, Armando Emílio Guebuza, que exerceu o seu direito de voto, logo que as urnas abriram, na Escola Josina Machel, em Maputo.

Hoje, foi concedida tolerância de ponto para que os eleitores possam dirigir-se às mesas de voto, que irão estar abertas até às 18:00 (16:00 em Lisboa).

A candidata ao município de Nampula Filomena Mutoropa, do Partido Humanitário de Moçambique (PAHUMO), foi hoje surpreendida quando se preparava para votar e descobriu que a sua candidatura não constava do boletim de voto.

Uma fotografia do boletim de voto para as eleições autárquicas da cidade de Nampula, capital da província com o mesmo nome, que circula nas redes sociais, comprova o caso insólito, mostrando apenas três dos quatro candidatos que concorrem à presidência do município.

Adolfo Absalão Siueia, da Frelimo, Mahamudo Amurane, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Mário Albino, da Associação para Educação Cívica e Moral para Exploração de Recursos Naturais (ASSEMONA) e Filomena Mutoropa são os quatro candidatos, mas apenas os três primeiros surgem no boletim de voto.

O candidato ao município de Maputo Venâncio Mondlane, do MDM, apelou hoje «para que todos sejam observadores» eleitorais ao longo do processo de votação que decorre em Moçambique e assegurou estar «confiante» numa vitória.

«Eu queria fazer um apelo: que todos nos consideremos observadores. Cabe a todos os eleitores, e mesmo aos que não se inscreveram, sentir e assumir que somos parte integrante e determinante para que a conclusão deste processo seja transparente, livre e justa», disse Venâncio Mondlane à agência Lusa.

O candidato do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) exerceu o seu direito de voto na escola primária do bairro de Inhagóia A, nos arredores da capital moçambicana, mostrando-se «confiante» na conquista da maior autarquia de Moçambique.

Na véspera das eleições, dois jornalistas moçambicanos foram detidos durante cerca de quatro horas, pela polícia de Mocuba, província da Zambézia, centro de Moçambique, acusados de estarem a fazer campanha eleitoral, disse à Lusa um dos repórteres.

Fernando Lima, um veterano jornalista moçambicano, presidente do grupo Mediacoop, e António Munaita, do Diário da Zambézia, foram detidos no mercado municipal de Mocuba.

Segundo Lima, os dois foram encarcerados em celas separadas, depois de lhes terem sido tirados os cintos, os sapatos e os telemóveis e após se terem identificado como jornalistas, ao que os polícias responderam «atirando com essas credenciais ao chão».