Alexis Tsipras chegou sorridente ao átrio da Universidade de Atenas. Antes de alcançar o púlpito onde proferiu o discurso da vitória, sorriu, acenou e deu vários abraços pelo caminho. «Hoje o povo helénico escreveu História e deixou a austeridade para trás». Uma história de «esperança». «A vossa voz anulou a austeridade. A troika é passado», disse aos milhares de gregos que o esperavam na capital. O Syriza venceu as legislativas da Grécia, com 36,37% das preferências dos eleitores. Apurados 95%, 149 deputados eleitos. Tão perto da maioria absoluta (precisaria de 151). Há cerca de 10 anos, nas eleições de 2004, o partido tinha reunido apenas 3,3% dos votos. Agora, tem a confiança da maioria dos gregos.

«O nosso povo, que fez um passo em frente na história, para encontrar todos os povos da Europa, hoje está em festa. Amanhã começamos um trabalho duro. Acaba este ciclo de austeridade. A vossa voz anula hoje, sem dúvidas, os resgates de austeridade e da catástrofe. A voz do povo grego diz que agora a troika é passado»


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O líder do partido de esquerda, tido como radical, mas que, nos últimos anos se tornou mais moderado, pediu «coesão social» aos gregos, abrindo uma porta ao diálogo:

«Vamos lutar todos para reconstruir a nossa pátria em novas bases de justiça e progresso. Porque hoje, amigas e amigos, cidadãos de Atenas, hoje não há vencedores e derrotados». «Procuraremos uma solução viável para a Grécia sair deste ciclo da dívida, com um diálogo honesto, com negociações [com os credores]. A Grécia vai apresentar o seu plano nacional»


Perfil: quem é Alexis Tsipras?

Uma coisa é certa: a «rutura total com a submissão» à «humilhação» vivida com a austeridade dos últimos cinco anos. Um recado para as autoridades europeias e,em particular, para a Alemanha. A Grécia foi o primeiro país europeu a ser resgatado pela troika, em 2010. Não resultou e foi alvo de um novo resgate em 2012. Cinco anos de pesados sacrifícios para os gregos, que agora disseram basta.

«Vai ser a Grécia do povo, a mensagem do povo. Reconquistámos a esperança e o otimismo. Quero expressar do fundo do coração a determinação, compaixão e otimismo do povo grego. Tomaram o objetivo nas vossas mãos e levantaram-no alto»


Hoje é «derrotada», sim, «a Grécia oligárquica». «Hoje vence a Grécia do amor, trabalho, conhecimento, da criação. Quem venceu hoje é a Grécia que luta e que tem esperança e precisa de espaço e tempo para construir um futuro com dignidade», reforçou Alexis Tsipras, que fez questão de assinalar a solidariedade europeia durante a campanha: «Esta vitória é também de todos os povos da Europa que lutam contra a austeridade». 

«Vamos conseguir. Todos juntos!». Foram estas as suas últimas palavras.

Antes mesmo de Tsipras discursar, o atual primeiro-ministro e líder do segundo partido mais votado, a Nova Democracia - mas a longa distância - telefonou ao vencedor, congratulando-o. Depois, a primeira declaração pública de Antonis Samaras foi para assumir a derrota. Fê-lo de «consciência tranquila» e deixou alguns avisos ao Syriza, pedindo diálogo.

Pouco depois do discurso de vitória, o Syriza recebeu o apoio do quarto partido mais votado, o Potami, caso não consiga obter a maioria absoluta.