Os líderes do PSOE e do PP, Pedro Sánchez e Mariano Rajoy, voltaram a reunir esta segunda-feira para tentar encontrar viabilidade na formação do governo espanhol, mas não houve qualquer consenso.

Pedro Sánchez disse, segundo escreve o El País, que foi uma “reunião perfeitamente desnecessária” e que o encontro serviu para relembrar Mariano Rajoy de que PSOE não irá permitir que forme governo. O líder socialista relembrou também que Rajoy é “exclusivamente responsável” por não ter conseguido o número de votos necessários para formar governo, sem precisar dos outros partidos.

Por outro lado, Mariano Rajoy insiste na legitimidade da sua investidura e garantiu que vai continuar a defender os propósitos apresentados nas eleições “como candidato de um partido que teve o apoio de oito milhões de espanhóis”.

No domingo, o PP chegou a acordo com o Ciudadanos para viabilizar a investidura de Rajoy. “Após uma semana de negociações, o PP e o Ciudadanos alcançaram um acordo para que os 32 deputados do partido de Abert Rivera votem favoravelmente a investidura de Mariano Rajoy”, noticiou o El Pais.

Este acordo fez levantar o tom de crítica do PSOE ao possível governo liderado pelo líder do PP. Sem apresentar qualquer ideia, Pedro Sánchez só referiu que o partido irá fazer “parte da solução”.

Este não é o nosso acordo. Ele perpetua as políticas destrutivas que o PP", resumiu o socialista.

Apesar da falta de entendimento entre os dois líderes políticos, Mariano Rajoy informou que irá à investidura com 170, faltando-lhe seis votos a favor. “Vou continuar a tentar com o PSOE, porque eles têm a chave, porque é a minha obrigação e porque Espanha precisa de um Governo", sublinhou o líder do PP.

A solução para angariar os votos em falta passa por um entendimento com o PSOE, uma vez que para além da abstenção, a intenção de voto do Podemos e dos nacionalistas não será favorável para Mariano Rajoy.

Estamos numa situação anómala e de bloqueio que não leva a nada e começa a minar o nosso crédito como país", alertou Rajoy.

Na sexta-feira, dia 2 de setembro, Mariano Rajoy vai apresentar a sua investidura ao Congresso, que irá decidir se aceita ou não o líder do PP como primeiro-ministro. Em caso de chumbo, a possibilidade de serem convocadas eleições legislativas pela terceira vez consecutiva ganha terreno.

Mariano Rajoy fo eleito a 21 de dezembro de 2015, mas sem maioria absoluta, elegendo 123 deputados, resultantes de 28,7% dos votos. As negociações para a formação do governo arrastaram-se por meses, e os espanhóis voltaram às urnas em junho. O PP de Mariano Rajoy voltou a ganhar as eleições e melhorou os resultados em relação às de dezembro (de 123 deputados, passou para 137).