Um avião da Egyptair com 66 pessoas a bordo, incluindo um cidadão português, despenhou-se no Mar Mediterrâneo esta quinta-feira. A informação foi confirmada pelo Presidente francês, François Hollande, depois de ter sido avançada pela agência de notícias AFP, que citou uma fonte aeroportuária grega. A AFP acrescenta que o Airbus A320 caiu ao largo da ilha grega de Cárpatos.

A secretaria de Estado das Comunidades confirmou a existência de um português a bordo do avião. A TVI apurou que o homem tem 62 anos e vivia e trabalhava temporariamente em Joanesburgo. A Secretaria de Estado das Comunidades já confirmou que o homem trabalhava para a Mota-Engil e tinha quatro filhos. A família já foi avisada.

“Confirmamos que estava um português a bordo deste avião que caiu, com 62 anos, inscrito no consulado de Joanesburgo, mas com residência em Lisboa, tinha quatro filhos e era o responsável da Mota-Engil para os mercados africanos”, adiantou José Luís Carneiro à agência Lusa.

José Luís Carneiro disse ainda que a empresa Mota-Engil já se mostrou disponível para custear as despesas que venham a ser reconhecidas como não estando cobertas pelo seguro.

Avião da Egyptair: o que se sabe até agora

O aparelho desapareceu dos radares esta quinta-feira, como confirmou a Egyptair no Twitter. A bordo do aparelho seguiam 56 passageiros, sete tripulantes e três seguranças. A maioria eram egípcios (30) e franceses (15). Segundo a transportadora, além do português há ainda dois iraquianos, um britânico, um belga, um kuwaitiano, um saudita, um sudanês, um chadiano, um argelino e um canadiano.

A Egyptair acrescentou que na aeronave seguiam uma criança e dois bebés.

O voo MS804 partiu do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, às 23:09 de quarta-feira, hora local, e devia chegar ao aeroporto internacional do Cairo na madrugada desta quinta-feira.

Segundo a Egyptair, o aparelho desapareceu dos radares quando voava sobre o Mar Mediterrâneo, depois de entrar dentro do espaço aéreo egípcio.

O ministro da Defesa grego, Panos Kammenos, disse que o avião caiu a 22.000 pés depois de virar acentuadamente duas vezes no espaço aéreo egípcio.

“O avião fez uma volta de 90 graus para a esquerda e uma volta de 360 graus para a direita, caindo dos 37.000 pés para os 15.000 e o sinal perdeu-se por volta dos 10.000 pés”, afirmou, em conferência de imprensa.

Essas manobras foram registadas às 00:37 TMG (01:37 em Lisboa), precisou o ministro.

A transportadora revelou que o avião enviou uma mensagem de emergência dez minutos antes de desaparecer dos radares, tendo o sinal sido detetado pelo exército. No entanto, o exército nega ter recebido este sinal. Antes, o vice-presidente da EgyptAir, Ahmed Abdel, já tinha dito, em declarações à CNN, que o avião não realizou qualquer chamada de emergência.

Neste momento decorrem operações de busca no Mediterrâneo, envolvendo as Forças Armadas egípcias e meios de socorro da Grécia.

A companhia aérea informou que o piloto tinha 6.275 horas de voo, incluindo 2.101 aos comandos de um Airbus 320.

Nenhuma hipótese descartada

O Governo francês não exclui “nenhuma hipótese” relativamente às causas deste desaparecimento e já informou, em comunicado, que vai “cooperar estreitamente” com o Egito para clarificar as circunstâncias deste incidente.

“Decidimos cooperar estreitamente para estabelecer o quanto antes as circunstâncias deste desaparecimento.”

O comunicado do Palácio Eliseu foi divulgado após uma conversa telefónica entre François Hollande e o seu homólogo egípcio, Abdel Fatah al Sissi.

O Presidente francês vai reunir os seus principais ministros de emergência esta quinta-feira. Segundo informações prestadas à AFP pelo gabinete de Hollande, vão participar nesta “reunião de crise” o primeiro-ministro, Manuel Valls, os ministros do Interior e da Defesa, Bernard Cazeneuve e Jean-Yves Le Drian, e o chefe da diplomacia francesa, Jean-Marc Ayrault.

O primeiro-ministro do Egito, Sherif Ismail, também afirmou que nenhuma hipótese está descartada, incluindo a de um atentado terrorista.

"Neste momento não podemos excluir nem confirmar nada, As operações têm de ser concluir até apurarmos as causas."