Desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973, que a Península do Sinai não era cenário de combates tão intensos. Há 42 anos, foram dois grandes exércitos mecanizados (israelita e egípcio) a defrontarem-se; desta vez, em 2015, os egípcios tiveram de enfrentar ataques surpresa, com grande mobilidade, de não mais do que algumas centenas de militantes do Estado Islâmico. 

Apesar da diferença de números, as Forças Armadas Egípcias tiverem grandes dificuldades para dominar a situação. Esta quinta-feira, um porta-voz oficial garantiu que o norte do Sinai está sob controlo total do exército, não obstante haver relatos de que os ataques aéreos continuam.

Segundo fontes do Cairo, 123 membros do Ansar Beit Al-Maqdis, o braço do Estado Islâmico na Península do Sinai, foram mortos nos combates dos últimos dois dias. Entre estes, dizem as mesmas fontes, estão alguns líderes de primeira linha do grupo.

Do lado do Exército e da Polícia, os números são mais incertos, mas tudo indica que haverá mais de 60 mortos.

Na quarta-feira, uma série de ataques coordenados a postos de controlo no norte do Sinai causou muitas baixas entre as forças de segurança, mas a ação mais importante deu-se na cidade de Sheikh Zuweid. Aí, o Estado Islâmico lançou uma ousada operação de cerco a uma esquadra da Polícia que deixou os agentes sitiados durante horas.

Os atacantes conseguiram mesmo impedir a chegada de reforços à zona, graças à colocação de engenhos explosivos em vias estratégicas de acesso. A diemensão do empenho dos extremistas nesta operação, somado à tentativa frustrada de cortar a ligação entre as cidades de Al-Arish e Rafah, levam alguns especialistas a acreditar que os ataques de 1 de julho marcam uma mudança crucial na atuação do Estado Islâmico em território egípcio: pela primeira vez, houve uma tentativa deliberada de conquistar território, à semelhança do que a organização tem vindo a fazer no Iraque e na Síria.

Talvez por isso, na primeira declaração pública do Governo após os ataques, o primeiro-ministro Ibrahim Mehleb disse que o país está oficialmente "em estado de guerra".