Numa comunidade do Michigan, nos Estados Unidos, instalou-se a polémica numa escola primária sobre a leitura de um livro. O livro é promovido numa ação anti-bullying, no entanto, um pai foi para a televisão acusar a autora de promover o estilo de vida homossexual. Até onde pode a escola impor-se à educação dos pais e vice-versa, o que pode ser censura - quer com aqueles que defendem, quer com aqueles que estão contra-, tolerância, direitos civis. O livro é de uma autora canadiana que está a levantar estas questões nos Estados Unidos.

“Morris Micklewhite and the Tangerine Dress”, da autoria de Christine Baldacchino, conta a história de um menino, Morris, que gosta de usar um vestido cor de tangerina e que é, por isso, alvo de perseguição e gozo por parte dos colegas.

Quando o filho de Lee Markham, do terceiro ano e com nove de idade, chegou a casa e disse ao pai a história que lhe tinha sido contada na sala de aula nesse dia, o pai ficou indignado e escreveu uma carta a um canal de televisão a expressar a sua repulsa.

 

“O livro não fala apenas na aceitação de outro ponto de vista, mas de promover outro estilo de vida”, escreveu, acusando a autora de se guiar pela agenda da LGBT, a sigla usada para designar lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais. Este pai argumentou que os meninos que não pensavam em usar vestidos, agora podem “ponderá-lo”, admitindo que este seu pensamento faz dele alvo de discriminação. 

“Ensinar as crianças a serem tolerantes com outras culturas, por mim, tudo bem. Eu fui militar e combati no Afeganistão. Mas, ensinar o meu filho de que não há problema em usar um vestido, vai totalmente contra os meus princípios como cristão”, afirmou o militar de 35 anos, na reserva desde 2010, após uma bomba artesanal ter explodido na sua cara e obrigado à reconstrução facial.

“Este é um assunto que deve ser discutido em casa e não na escola”, defendeu Lee Markham na missiva.

Um responsável pela educação no estado, Daniel Behm, disse, em defesa da escola, que quando os alunos fazem uma pergunta, os professores não podem dizer-lhes para aguardar e escrever uma carta a todos os pais a pedir-lhes uma opinião. As questões levantam-se no “dia-a-dia” e são um “desafio”. Neste caso, tudo começou com um aluno que se vestia de forma diferente, e, então, foi adotado o livro que não fazia parte do programa para explicar a questão. Ignorar estes tópicos só leva a que os alunos não se concentrem no resto do programa escolar.  

A questão vai, portanto, mais além do que um rapaz vestir uma saia. Este deve ser um assunto para ficar entre portas ou para ser tratado na escola? Os pais têm o direito a opor-se? O assunto é controverso e Lee Markham, que fala do seu caso concreto, não está sozinho. Segundo noticiava a mesma Wood TV, a 10 de maio, uma reunião da direção de educação do Michigan foi “invadida” por uma centena de pessoas, que se manifestavam contra ou a favor da adoção, por parte das escolas daquele estado americano, de uma série de recomendações a propósito dos direitos de homossexuais, bissexuais ou transsexuais no programa escolar. No período de consulta pública do programa recebeu mais de 15.000 sugestões, propostas ou reclamações.

Enquanto não chega agosto para se saber qual a decisão final, voltemos ao assunto despoletado pelo herói do livro, Morris Micklewhite.

A autora, Christine Baldacchino, disse ao 24 Hour News 8 que, com o livro, “quer dar uma voz aos miúdos que são julgados por pessoas como Lee Markham todos os dias. Quer que essas crianças saibam que se devem focar em ser felizes na sua própria pele (quer vistam um vestido cor de tangerina ou uma calças de ganga)”.