O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, lamentou esta quinta-feira, em Riga, que não haja sinais de que esteja próximo de ser alcançado um entendimento entre a Grécia e os seus parceiros europeus, que seria “importante para toda a gente na Europa”.

Em declarações à imprensa após participar num jantar de trabalho de chefes de Estado e de Governo, no quadro da IV Cimeira da Parceria Oriental, que decorre entre hoje e sexta-feira na capital da Letónia, Passos Coelho, questionado sobre o impasse que continua a verificar-se nas negociações com a Grécia, lamentou, sem entrar “em julgamentos” de responsabilidades, a “persistente dificuldade” em encontrar uma solução para a Grécia.

O primeiro-ministro apontou que países como Portugal e Espanha “passaram por programas muito exigentes (…) e conseguiram ultrapassar essas situações”, outros, como Itália e Espanha, “aplicaram programas de transformação económica e rigor orçamental (…) e têm vindo a ultrapassar essas dificuldades”, Chipre está quase a concluir com sucesso o seu programa, mas, no caso da Grécia, continua a não ser encontrada “uma solução duradoura”.

“Estou a constatar os factos. Espero que seja possível chegar a um entendimento, apesar de termos noção de que o tempo está a ficar muito curto e que não tem havido sinais de que esse entendimento esteja próximo de ser alcançado. Mas eu gostaria muito que isso fosse possível, embora não creia que dependa da minha vontade politica”, disse.

Para o chefe de Governo, “é do interesse de todos” que haja “um entendimento ao nível do Eurogrupo que estabilizasse a situação na Grécia, por um lado, e, por outro lado, desse a perspetiva, quanto à União Europeia e, em particular, a toda a zona euro” que não se está “perante a situação de um pais não cumprir os critérios, não cumprir as regras e, por essa razão, ter que abandonar o euro”.

O primeiro-ministro considerou que uma eventual saída da Grécia da zona euro “não traria perturbação maior do ponto de vista do curto prazo em termos financeiros, na medida em que a situação hoje na Europa não tem semelhanças com a que se viveu há dois, três ou quatro anos”, mas “o problema colocar-se-ia a médio e longo prazo”, já que o euro, enquanto “um dos elementos determinantes do processo de construção política da Europa” seria “afetado negativamente”.

Passos Coelho falava aos jornalistas no hotel onde estão instaladas diversas delegações, incluindo as alemã e grega, encabeçadas pela chanceler Angela Merkel e pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que tinham previsto para hoje à noite um encontro bilateral, em busca de avanços das conversações.