O presidente da Comissão Europeia defendeu esta terça-feira que os líderes europeus devem «condenar» firmemente as recentes ações da Rússia na Crimeia, mas manter uma via política para garantir a paz.

«Estamos muitíssimo preocupados com esta situação e com o que isto pode representar para a paz na Europa. A paz é o bem mais precioso que temos na Europa e estamos a fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance para, por uma via política e diplomática, evitar que haja situações mais difíceis do que aquelas que já temos, por isso é que foi decidido convocar este Conselho informal [na próxima quinta-feira]», afirmou Durão Barroso, citado pela Lusa, após um debate no Parlamento Europeu, em Bruxelas, promovido pela Provedoria Europeia de Justiça.

«Eu espero que haja uma posição firme de todos os governos no sentido de condenar o que se está a passar, de mostrar que haverá consequências se não se corrigir a situação, mas ao mesmo tempo que se continue com uma via política, diplomática, para garantir o bem mais precioso que temos na Europa, que é a paz», reiterou Barroso.

Questionado sobre as consequências que poderão advir da cimeira extraordinária de quinta-feira, Durão Barroso não quis antecipar cenários. «Não vou agora especular», respondeu apenas.

A União Europeia convocou na segunda-feira um conselho europeu de chefes de Estado e Governo para debater a situação na Ucrânia e a escalada de tensão com a Rússia.

Rui Machete condena «violação da integridade territorial da Ucrânia»

O ministro dos Negócios Estrangeiros português condenou hoje «inequivocamente a violação da integridade territorial da Ucrânia» pela Rússia e, perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, pediu o fim de «todas as movimentações provocatórias de tropas».

Na sua intervenção no segmento de Alto Nível da 25.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos (CDH), Rui Machete manifestou «grande preocupação» com a «deterioração da situação» na Ucrânia, em particular os desenvolvimentos na Crimeia.

«Condenamos inequivocamente a violação da integridade territorial da Ucrânia pelas tropas russas», afirmou, num discurso em português.

O ministro apelou «às partes para que demonstrem contenção e que cessem, de imediato, todas as movimentações provocatórias de tropas».

«É essencial manter a paz e a estabilidade na região e preservar a unidade, soberania e integridade territorial da Ucrânia, no pleno respeito dos acordos internacionais existentes», afirmou ainda o chefe da diplomacia portuguesa, encorajando a Rússia «a seguir uma via pacífica, através do diálogo com a Ucrânia, se necessário com recurso a mediação internacional».

Na sua intervenção, o ministro condenou ainda «todas as violações e abusos de direitos humanos ocorridos no decurso da atual crise» e considerou «necessário estabelecer um diálogo interno inclusivo, que tenha em consideração a diversidade regional, cultural e linguística da Ucrânia e que vá ao encontro das aspirações democráticas da população».