Última atualização 12:46

Dominique Strauss-Kahn foi absolvido da acusação de proxenetismo agravado no chamado "caso Carlton". Se tivesse sido considerado culpado, o antigo diretor do FMI poderia ter de cumprir uma pena de dez anos de cadeia e a uma multa de 1,5 milhões de euros.

Aquele que já foi visto como possível candidato à presidência francesa estava acusado de ser o principal promotor e beneficiário de festas com prostitutas em Lille (onde foi julgado), em Paris e em Washington.

"Não lhe pode ser atribuído o papel de instigador", disse o juiz Bernard Lemaire, na leitura do veredicto de um caso batizado com o nome do hotel de Lille onde decorreriam algumas destas festas, que levaram ao banco dos réus ainda outros 13 acusados.


Durante o julgamento, o que a acusação descreveu como “orgias com prostitutas” a defesa de Strauss-Kahn sempre disse serem apenas “noitadas libertinas”, alegando que o antigo diretor do FMI não sabia que as mulheres que nelas participavam fosse pagas. 

O tribunal acabou por considerar que a condenação não era sustentável por falta de provas, em linha com a recomendação já feita pelo procurador público, pelo mesmo motivo.

Durante as alegações finais, o procurador Frederic Fevre sublinhou que o instrumento de trabalho do tribunal é o "código penal e não o código moral".  

Momentos antes, o tribunal absolveu também Dominique Alderweireld, conhecido por "Dodo o salmoura" e a sua companheira Béatrice Legrai, "Dodo", proxeneta e gerente de bares de acompanhantes na vizinha Bélgica, era acusado de aliciamento de mulheres em solo francês, tendo a acusação requerido uma pena de 2 anos de prisão, um dos quais em pena suspensa, além de 10 mil euros de multa.
Todos os outros implicados, incluindo os empresários Fabrice Paszkowski e David Roquet, antigos dirigentes do Carlton de Lille, acabaram absolvidos.
A excepção é René Kojfer, amigo de infância de DSK, e antigo relações públicas do Carlton, peça-chave do processo, condenado pelos juízes a um ano de prisão, com pena suspensa.
 
Este não é o primeiro processo de cariz sexual a envolver o político francês de 66 anos. A 14 de maio de 2011, quando ainda era diretor-geral do FMI, DSK foi detido em Nova Iorque acusado de ter abusado sexualmente de Nafissatou Diallo, uma empregada da limpeza do hotel Sofitel.

Contradições da testemunha acabaram por fazer cair o processo que terminou com um acordo financeiro com Diallo . Terminadas ficaram também as aspirações políticas de Strauss-Kahn, favorito às eleições presidenciais de 2012 em França, pelo partido socialista.