O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, foi ameaçado pelos rebeldes depois de ser acusado de ter comprometido «todo o processo de paz» depois das eleições em Donetsk e Lugansk no domingo, avança a BBC.

Perante esta ameaça, o presidente da Ucrânia reúne esta terça-feira o gabinete de crise para alterar a resposta à ameaça separatista no leste do país.

Numa comunicação televisiva, Petro Poroshenko anunciou a reunião com as chefias militares e de segurança explicando que o encontro tem como objetivo traçar uma nova estratégia para recuperar o território das províncias de, controlado pelos separatistas pró-Rússia desde abril passado.

Poroshenko afirma que a solução para a crise tem de ser política, mas anuncia um reforço da presença militar na região rebelde. Além disso, admite cancelar o «estatuto especial» que tinha sido concedido ao leste no acordo de Minsk e que oferecia mais autonomia para as províncias revoltosas: nunca a realização de eleições separatistas.

«Uma das questões que se discutirá será a abolição da lei que reconhece um estatuto especial em certos distritos de Donestk e Lugansk», afirmou, adiantando que esta lei «teve um papel extremamente importante para travar a invasão estrangeira e mobilizar o apoio internacional».
 
Sob os termos da trégua, a Ucrânia reitera a sua intenção de realizar eleições nas duas regiões em Dezembro, uma vez que as mesmas - que são apoiadas pela Rússia - são consideradas ilegais pelo Ocidente.

«Presidente» de Donetsk tomou posse

O líder separatista pró-russo Alexandr Zakhartchenko tomou posse, esta terça-feira, como «presidente» da autoproclamada «república popular» de Donetsk, no leste da Ucrânia, depois de vencer as eleições separatistas de domingo, consideradas ilegais por Kiev e pelo Ocidente.

«Juro servir o povo da república popular de Donetsk», declarou Zakhartchenko, um antigo mecânico de 38 anos, até agora “primeiro-ministro” da república autoproclamada, que obteve 81% dos votos.

Uma cerimónia semelhante está prevista para esta terça-feira à tarde em Lugansk, outro bastião dos separatistas onde o ex-militar Igor Plotnitski, de 50 anos, obteve 63% dos votos.