O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer acabar com o Programa de Lotaria de Vistos de Diversidade, na sequência do ataque que ocorreu em Nova Iorque. O líder norte-americano disse isto mesmo durante uma reunião da Casa Branca, nesta quarta-feira, ao lado do Secretário de Estado, Rex Tillerson, e do Secretário da Defesa, Jim Mattis.

Vou começar hoje o processo para acabar com o programa da Lotaria de Vistos de Diversidade. Vou pedir imediatamente ao Congresso para iniciar os trabalhos necessários para nos vermos livres deste programa. Parece uma coisa simpática, mas não é simpático, não é bom. Não tem sido bom e temos sido contra isto”, sublinhou Trump.

A decisão surge depois de o Departamento da Segurança Interna dos EUA ter informado que o suspeito do ataque em Nova Iorque, que é natural do Uzbequistão, chegou ao país ao abrigo deste programa.

A Lotaria de Vistos de Diversidade é um programa que existe no país desde 1991 e que consiste na distribuição anual de cerca de 50.000 vistos em países onde a imigração para os Estados Unidos é baixa.

No Twitter, Donald Trump culpou o democrata Chuck Schumer, senador de Nova Iorque, pela existência do programa.

E, também nesta plataforma, levou a resposta do senador, que acusou o presidente norte-americano de "politizar a tragédia".

Como explica a imprensa norte-americana, o senador Chuck Shumer foi, de facto, um dos responsáveis pela lei de 1990 que criou o programa. Mas a imprensa recorda que essa lei foi aprovada no Congresso tanto por democratas como por republicanos e foi assinada por um presidente republicano, George H. W. Bush. Mais, Shumer até fez parte de um grupo de senadores que quis acabar com estes vistos em 2013.

O ataque que abalou Nova Iorque na terça-feira, o primeiro nesta cidade desde o World Trade Center, fez pelo menos oito mortos e 12 feridos. Um homem conduziu uma carrinha pick-up contra as pessoas que passeavam perto do World Trade Center e do memorial, em Manhattan,

A identidade do atacante não foi divulgada oficialmente pelas autoridades (que disseram simplesmente tratar-se de um homem de 29 anos), mas, segundo fontes citadas pela agência de notícias Associated Press, trata-se de Sayfullo Saipov, de 29 anos, natural do Uzbequistão, que chegou aos Estados Unidos em 2010, sendo titular de residência permanente. Tem carta de condução da Flórida, mas residência em Nova Jérsia. Segundo o jornal New York Times, trabalhava como motorista da Uber e já estaria no radar da polícia americana.

O governador de Nova Iorque disse que o suspeito “está ligado” ao autoproclamado Estado Islâmico e que se "radicalizou" nos EUA. 

O presidente norte-americano referiu-se ao suspeito como um "animal" e disse que os EUA têm de ser "mais duros" no tratamento que dão aos suspeitos de ataques terroristas. O líder norte-americano quer que a justiça seja "rápida e forte".