O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o Twitter para lançar um sério aviso à Rússia, por causa da Síria. Num post publicado esta quarta-feira de manhã, Trump diz que Putin “não devia aliar-se a um animal que mata o seu próprio povo com gás”, numa referência ao ataque em Douma, na Síria, em que mais de 500 pessoas, incluindo crianças, terão sido expostas a um gás mortífero.

“A Rússia promete derrubar todos e quaisquer mísseis lançados contra a Síria. Prepare-se, porque eles virão, bons e novos e "inteligentes"! Vocês não deviam ser parceiros de um animal que mata com gás o seu próprio povo e gosta!” 

Num outro tweet, com pouco mais de meia hora de diferença do primeiro, Donald Trump deixa claro que a relação com a Rússia já teve melhores dias: "A nossa relação com a Rússia está pior agora do que alguma vez esteve. E isso inclui a Guerra Fria. Não há razão para isso. A Rússia precisa de nós para ajudar a sua economia, algo que será muito fácil de fazer, e nós precisamos de todas as nações para trabalharmos em conjunto. Vamos parar a corrida ao armamento?".

Já depois dos twets do presidente, o secretário da Defesa dos Estados Unidos disse “estar pronto” para apresentar a Donald Trump todas as opções militares de retaliação ao ataque químico. Jim Mattis realçou, no entanto, que os Estados Unidos “ainda estão a avaliar” as informações relacionadas com o ataque, informações essas que serão importantes para apurar a responsabilidade do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Através do ministro dos Negócios Estrangeiros, a Rússia demorou menos de meia hora para responder a Donald Trump. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros russo diz que os tais “mísseis inteligentes devem ser dirigidos contra terroristas e não contra um governo legítimo”. A Rússia vai mais longe e acrescenta que os “mísseis inteligentes” dos Estados Unidos podem ser uma tentativa e destruir a evidência dos alegados ataques químicos na síria.

Citada pela Agência TASS, fontes militares russas dizem que estão a acompanhar de perto a situação na Síria e alegam que o ataque em Douma foi fabricado por grupos ativistas de "capacetes brancos". À RIA, outra agência noticiosa russa, as mesmas fontes militares garantem que as amostras que se conseguiram recolher em Douma não revelam a presença de qualquer veneno e que a polícia russa se prepara para entrar na cidade esta quinta-feira. 

Numa aparente resposta aos tweets de Trump, o Ministério da Defesa russo fala em movimentações da força naval norte-americana no mar do Golfo e que Washington faria muito melhor se pensasse reconstruir a cidade síria de Raqqa do que pensar em outros ataques. 

Já esta semana, a Rússia tinha acusado Israel (tradicional aliado dos Estados Unidos)  de ser responsável por um ataque aéreo a uma base militar síria, que fez pelo menos 14 mortos, incluindo iranianos. A origem do ataque, direcionado ao aeroporto militar T-4, igualmente conhecido pelo nome de Tiyas, continua desconhecida, tendo os EUA já rejeitado a responsabilidade.

Forças russas, iranianas e do movimento libanês Hezbollah, aliados do regime de Bashar al-Assad, estão estacionadas nesta base, de acordo com aquele observatório citado pela France Presse.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirma que cerca de 500 pessoas em Douma, nos arredores de Damasco, na Síria, apresentaram "sintomas consistentes com a exposição a químicos tóxicos".

Numa declaração citada pela agência Reuters, a agência das Nações Unidas refere que os pacientes assistidos nos serviços de saúde mostravam "sinais de irritação severa das mucosas, falência respiratória e perturbação do sistema nervoso central", após o ataque de sábado.

A organização também cita relatos sobre a morte de mais de 70 pessoas em abrigos subterrâneos e afirma que 43 dessas vítimas manifestavam sinais "consistentes com a exposição a químicos altamente tóxicos".

A OMS condena o alegado ataque químico do regime de Bashar al-Assad e pede acesso livre a Douma para assistir as vítimas.