Contam os meios de comunicação presentes no castelo de Windsor que a rainha Isabel II chegou a dar uma olhadela ao relógio, na tarde desta sexta-feira. Talvez para verificar o atraso, para o chá e para a chegada do atual casal presidencial norte-americano: Melania e Donald Trump, que foram recebidos pela monarca na mesma sala onde estivera com os antecessores, Michelle e Barack Obama.

Dentro de portas, Trump e Melania estiveram 25 minutos com Isabel II. Foi a forma de encerrar uma rápida e contestada visita do presidente norte-americano a Inglaterra. Trump seguirá viagem para dois dias de golfe, na Escócia, e depois para Helsínquia, para uma aguardada cimeira com o líder russo, Vladimir Putin.

À vista de todos, em Windsor, a presença de Trump ficou assinalada por um momento caricato, na inspeção à guarda de honra. Trump andou, parou abruptamente e obrigou a rainha Isabel II, nos seus 92 anos, a ter que o tornear para ocupar a posição definida pelo protocolo. Noblesse oblige...

 

"Uma mulher fantástica"

Em fecho da aguardada e polémica visita a Inglaterra, ao segundo dia, Donald Trump assumiu uma postura, no mínimo, mais diplomática. Mesmo que "à sua maneira".

Uma mulher fantástica", foi a forma que encontrou, segundo a imprensa internacional, para qualificar a rainha de Inglaterra. Ainda assim, algo mais aceitável do que as referências feitas à primeira-ministra, Theresa May.

De "falta de chá", foi Donald Trump acusado, em menos de 24 horas, pela classe política inglesa, desde praticamente que aterrou em Londres. Além da contestação nas ruas, uma entrevista ao tablóide The Sun, com, uma tiragem da ordem dos 3,5 milhões de exemplares diários, fez azedar o jantar com que a primeira-ministra recebeu o casal presidencial norte-americano na quinta-feira.

Na capa do The Sun, desta sexta-feira, Trump surgia a criticar a política de Theresa May e a sua estratégia para negociar a saída do Reino Unido da União Europeia. Dizendo mesmo que não tinha seguido os seus conselhos sobre o Brexit, ameaçando recusar um acordo comercial com os britânicos e elogiando o demissionário ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson.

Trump chegou mesmo a considerer que o ex-titular dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, seria "um grande primeiro-ministro" britânico.

Na internet, quinta-feira à noite, o The Sun antecipou o que ia trazer nesta sexta-feira e a classe política britânica, da oposição trabalhista à maioria governativa, conservadora, uniu-se num coro de críticas à falta de maneiras de Donald Trump.

"Relação muito sólida"

Sexta-feira, após a indigestão diplomática e política ao jantar, o president Donald Trump surgiu a garantir ter uma "relação muito sólida" com a primeira-ministra britânica, apesar de ter criticado numa entrevista a negociação do ‘Brexit’.

A relação é muito, muito sólida, temos uma ótima relação", garantiu Donald Trump, então sentado ao lado de Theresa May.

As palavras de Trump foram proferidas à chegada a Chequers Court, a casa de campo da chefe do governo britânico, onde os dois almoçaram vão ter um almoço de trabalho e discussões bilaterais, concluída com uma conferência de imprensa.

Digerindo, ou não, a azia que tinha criado, à tarde, no final da visita, Donald Trump mostrou um recuo nas críticas feitas sobre a gestão das negociações do 'Brexit'. E encorajou até a primeira-ministra britânica, Theresa May, a garantir um acordo que permita trocas comerciais entre os Estados Unidos e o Reino Unido.

Tudo que fizerem está bem para mim. Essa é vossa decisão. Tudo o que fizer está bem connosco. Certifique-se apenas que podemos fazer comércio juntos, isso é tudo o que importa aos Estados Unidos", afirmou Trump, numa conferência de imprensa em Londres, após o encontro com May.