Donald Trump volta a estar no centro da polémica. Depois de Khizr Khan, pai de um soldado americano e muçulmano de origem paquistanesa morto durante a guerra do Iraque, ter acusado o candidato à presidência dos EUA de estigmatizar os muçulmanos americanos, Trump veio a público dizer que havia feito “muitos sacrifícios”.

Já foi ao cemitério de Arlington [de veteranos]? Para olhar para as sepulturas dos corajosos patriotas que morreram a defender os Estados Unidos da América? Vai encontrar todas as crenças, géneros e etnias. O senhor não sacrificou nada!”, afirmou Khan na convenção do Partido Democrata dos EUA.

Trump - que tem indignado muitos americanos com as suas declarações contra os imigrantes, muçulmanos e mulheres – não gostou de ser atacado e respondeu ao pai do soldado.

Eu trabalho muito, muito duro. Criei milhares e milhares de empregos, dezenas de milhares de empregos, construí grandes estruturas. Tive um sucesso tremendo. Penso que fiz muito”, respondeu Trump, este domingo, numa entrevista à cadeia ABC.

Mas não se ficou por aqui. Questionando se o discurso do muçulmano havia sido escrito por ele ou pela campanha de Hillary Clinton, candidata democrata, Trump atacou também a mãe do soldado, por não ter falado.

Se virem a mulher, ela manteve-se ali de pé, sem dizer nada. Provavelmente não tinha o direito de dizer o que queria”, afirmou, referindo-se aos muçulmanos que proíbem as mulheres de falar.

Em entrevista à ABC News, Ghazala acabou por responder a Trump, dizendo que nada dissera porque estava “em sofrimento”, apesar do marido lhe ter pedido para discursar.

Por favor. Fiquei muito incomodada quando soube que ele [Trump] comentara que eu não tinha falado. Estava em sofrimento. Se estiveres em sofrimento, lutas ou não dizes nada. Eu não sou uma lutadora. Não consigo lutar. A melhor coisa que fiz foi ficar em silêncio", afirmou.
 

Trump tem "uma alma negra"

As críticas à resposta de Donald Trump não se fizeram esperar e uma das primeiras a reagir foi Hillary Clinton, que disse não acreditar que o seu adversário se referira daquela maneira à mãe de um soldado condecorado.

Fiquei muito emocionada por ver Ghazala Khan manter-se ali, corajosa e dignamente, durante o momento de apoio dirigido ao seu filho na quinta-feira. Todos os americanos deviam apoiar os Khan e todas as famílias que perderam os seus filhos mortos ao serviço do país”, afirmou em comunicado.

Por sua vez, Tim Kaine, nomeado para vice de Hillary, afirmou, em declarações à AP, que Trump tentou tornar o discurso de Khizr Khan "em algo ridículo".

Mas as críticas não surgiram apenas na "bancada" democrata. Do lado republicano, John Kasich, governador do Ohio e antigo rival de Trump, afirmou que a única forma de falar dos pais de um soldado morto é com "honra e respeito" e que o Capitão Khan é "um herói".

No entanto, a crítica mais acérrima voltou a surgir por parte do pai do soldado, que acusou Trump de ter uma "alma negra".

Ele tem uma alma negra e isso é totalmente impróprio para a liderança deste país. O amor e afeto que recebemos mostra que a nossa dor - que a nossa experiência neste país tem sido correta e positiva. O mundo recebe-nos como nós nunca vimos. Eles viram a parte negra do seu caráter, da sua alma".

Khizr Khan