Inimigo do meu inimigo, pode não se tornar amigo, mas arrisca-se a ser elogiado pelo polémico milionário e potencial candidato republicano Donald Trump. Terça-feira à noite, num comício em Raleigh, na Carolina do Norte, considerou que o Iraque estava hoje pior, tendo-se tornado uma universidade do terrorismo, após o desaparecimento de Saddam Hussein.

Ele era um tipo mau. Mesmo mau. Mas sabem uma coisa? O que ele fez bem? Matou terroristas. E fez isso tão bem. Não lhes liam os seus direitos. Não falavam. Eram terroristas: ponto final. Hoje, o Iraque é Harvard do terrorismo”, foram as palavras explosivas de Trump, de acordo com o relato online da cadeia CNN.

Controverso, Trump, que apoiou a invasão norte-americana, argumentou agora que não se devia ter “desestabilizado o Iraque”. Que, a par da Líbia, estariam ambos os países melhor se ainda fossem governados, respetivamente, por Sadadm Hussein e Moammar Kadhafi.

Estas novas considerações do Trump apanharam aparentemente de surpresa o próprio partido Republicano. Paul Ryan, porta-voz do Câmara do Representantes, confrontado pela cadeia de televisão Fox, apenas disse que Saddam foi “uma das piores pessoas do século XX”.

Mais um para a caderneta

Sem deixar arrefecer a polémica iniciada por estas mais recentes declarações de Trump, a campanha de Hillary Clinton fez logo notar que o apreço do concorrente republicano “por tiranos brutais parece não ter fronteiras”.

Jake Sullivan, consultor da campanha da candidata à nomeação pelo Partido Democrático, lembrou os elogios já antes manifestados por Trump pelos líderes norte-coreano, Kim Jong Un, e russo, Vladimir Putin.

Trump, uma vez mais, louvou Saddam Hussein como um grande carrasco de terroristas, realçando com aprovação que ele nunca se preocupou em ler os direitos a quem quer que fosse”, comentou Jake Sullivan.