O presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu esta sexta-feira uma "possível opção militar" na Venezuela, país que atravessa uma grave crise política sob a alçada do governo do presidente Nicolás Maduro.

“Temos várias opções para a Venezuela. Não excluo a opção militar. É um dos nossos vizinhos. Temos tropas em todo o mundo, em países que estão muito distantes, a Venezuela não está assim tão longe e as pessoas estão a sofrer e a morrer. Temos vários opções para a Venezuela, incluindo, se necessário, a intervenção militar”, disse Trump, em conferência de imprensa.

O presidente norte-americano falava aos jornalistas em Nova Jérsia, onde está de férias, depois de se ter reunido com o secretário de Estado, Rex Tillerson, o assessor de segurança nacional, H.R. McMaster, e a embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley.

As declarações de Donald Trump surgem depois de Nicolás Maduro ter dito, na quinta-feira, que queria uma "conversa pessoal" com o homólogo norte-americano.

Entretanto, a Casa Branca fez saber que o presidente dos Estados Unidos aceitará falar com o homólogo da Venezuela “assim que a democracia for restaurada” no país.

Trump pediu a Maduro respeito pela Constituição, eleições livres e justas, a libertação dos presos políticos e o fim das violações aos direitos humanos” e “Maduro, pelo contrário, escolheu o caminho ditatorial”, sublinha Washington, num comunicado, no qual salienta que os Estados Unidos “estão com o povo da Venezuela contra a contínua opressão do regime de Maduro.”

Mas algumas horas depois das palavras de Donald Trump, o Pentágono negou ter recebido ordens referentes à Venezuela.

O Pentágono não recebeu qualquer ordem relativamente à Venezuela”, afirmou, em comunicado, o porta-voz Eric Pahon. “Se nos for pedido, estamos preparados para ajudar o Governo a proteger os nossos interesses nacionais e os nossos cidadãos”, sublinhou.

O presidente da Venezuela escolheu, na quinta-feira, o primeiro discurso perante a recém-eleita Assembleia Constituinte para anunciar que pretende "conversar pessoalmente" com o homólogo norte-americano. Maduro pediu ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, para tomar as medidas necessárias para que o encontro se realize, de preferência pessoalmente, já no dia 20 de setembro, em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU.

A crise venezuelana agravou-se depois da eleição de uma Assembleia Constituinte, a 30 de julho, numa votação contestada pela comunidade internacional.

Os EUA anunciaram recentemente o congelamento de todos os bens de Nicolás Maduro sob sua jurisdição e proibiram todos os cidadãos e entidades norte-americanas de negociar com o presidente venezuelano. Anteriormente, a Casa Branca já tinha imposto sanções contra 13 pessoas ligadas ao governo de Caracas, entre as quais Tibisay Lucena, presidente do Conselho Nacional Eleitoral, que viu os bens congelados e ficou impedida da fazer negócios com norte-americanos.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, inicia este sábado o primeiro périplo pela América Latina, sendo a Venezuela um dos principais temas que discutirá com líderes dos quatro países que visitará: Colômbia, Argentina, Chile e Panamá.

Esta semana, 12 países do continente americano (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru) assinaram uma declaração conjunta na qual condenam “a rutura da ordem democrática” no país e dizem não reconhecer a nova Assembleia Nacional Constituinte, convocada por Nicolás Maduro, nem aceitar qualquer ordem.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas denunciou, também esta semana, que as forças de segurança da Venezuela têm utilizado força excessiva para reprimir os protestos contra Maduro, provocando a morte de 46 manifestantes. O mesmo responsável denunciou ainda o recurso a métodos de tortura contra detidos.