Donald Trump já deu várias provas de que não perde uma oportunidade para atacar os adversários democratas, recorrendo muitas vezes ao Twitter para esse efeito. O que poucos terão notado é que há uma alta figura que tem escapado às farpas do candidato à Casa Branca: Michelle Obama. E nem mesmo depois do muito aplaudido discurso em que a primeira-dama criticou o republicano sem sequer referir o seu nome, na Convenção Nacional do Partido Democrata, Trump lhe deixou palavras mais duras. Antes pelo contrário. Numa entrevista ao Hollywood Reporter, o candidato disse que a intervenção de Michelle foi "excelente".

No primeiro dia da Convenção Nacional do Partido Democrata, que decorre até quinta-feira em Filadélfia, Trump usou o Twitter para criticar tudo e todos. E até mereceu uma resposta de Bernie Sanders, que na mesma rede social lhe escreveu: “Never tweet” (Nunca escrevas tweets).

Críticas que, surpreendentemente, não visaram Michelle Obama. Sobre a primeira-dama e a sua intervenção, muito elogiada pelos comentadores políticos, Trump não escreveu uma linha. 

Mais, ao Hollywood Reporter, o magnata que fez fortuna no setor imobiliário afirmou que não ficou nada impressionado com o que viu do primeiro dia da reunião dos democratas, excepto num determinado momento: quando Michelle subiu ao palco e fez um discurso que, na sua opinião, foi “excelente”.   

“Acho que o discurso dela foi excelente. Fez um trabalho muito bom. Gostei do discurso.”

Trump não criticou o discurso de Michelle desta vez, tal como não respondeu à intervenção da primeira-dama numa iniciativa com estudantes finalistas em Nova Iorque, em junho, e que teve claras referências ao republicano. Na altura, a democrata alertou os jovens que é preciso ter cuidado com os que querem “construir muros” e que olham para a diversidade como uma “ameaça”.

O Washington Post escreve que a pior coisa que Trump já disse sobre a primeira-dama foi que Michelle gosta de ser tratada por "Vossa Excelência" e que a mulher de Obama é realmente "excelente" a gastar os impostos dos contribuintes nela própria. Uma mensagem que remonta a 2012.

Nesse mesmo ano, porém, Trump deixou-lhe um rasgado elogio: o republicano afirmou que o discurso da primeira-dama na Convenção do Partido Democrata tinha sido "muito bom" e que os democratas deviam estar orgulhosos.

Esta posição do candidato republicano em relação a Michelle causa alguma estranheza se se tiver em conta que Trump não deixa uma boa crítica sem resposta. Ele próprio admitiu isto mesmo quando afirmou, numa entrevista na Fox News, que é um “counter-puncher” – counterpunch é um movimento que, no boxe, se segue a um ataque do adversário.

O comportamento não estará certamente relacionado com o facto de Michelle ser mulher, pois o milionário já se envolveu em acesas trocas de acusações com várias personalidades do sexo feminino - como aconteceu com a democrata Elizabeth Warren, a jornalista Megyn Kelly ou a atriz Rosie O'Donnell.

Na semana passada, a intervenção de Melania Trump na Convenção do Partido Republicano, em Cleveland, que oficializou Trump como candidato à Presidência, causou polémica pelas semelhanças com o discurso feito por Michelle Obama em 2008.

Em plena chuva de críticas, e numa tentativa de pôr alguma água na fervura, o responsável pela escrita dos discursos de Melania afirmou que a mulher de Donald Trump sempre admirou Michelle. Agora, os comentadores norte-americanos suspeitam que também o magnata é fã da mulher de Barack Obama.