Dezassete estados norte-americanos, incluindo Nova Iorque e Califórnia, processaram terça-feira a administração Trump para obrigar à reunião familiar dos milhares de crianças imigrantes que foram separadas dos pais na fronteira.

A notícia surge numa altura em que aumenta a pressão sobre a Casa Branca para voltar a reunir estas famílias: As autoridades têm 2.047 crianças que foram retiradas aos pais no âmbito da “tolerância zero” aos imigrantes ilegais, segundo informações avançadas terça-feira pelo secretário da Saúde dos Estados Unidos.

Em relação à passada quarta-feira, dia em que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que iria suspender a medida, houve apenas uma redução de seis crianças sob custódia dos serviços de saúde.

Cruel, clara e simples” foram os adjetivos usados pelo procurador-geral de Nova Jersey, Gurbir Grewal, para classificar a atuação do governo sobre estes casos.

Não nos podemos esquecer: as vidas de pessoas reais estão em jogo”, afirmou o responsável.

Além de separarem as famílias que são apanhadas a tentar atravessar ilegalmente a fronteira, há vários relatos de crianças que são enviadas para lugares que ficam a milhares de quilómetros de distância dos seus pais.

Os estados, todos liderados por procuradores-gerais democratas, juntaram-se a Washington, para avançar com uma ação judicial, argumentando que estão a ser forçados a arcar com o aumento dos custos de assistência social, educação e serviços sociais.

Entretanto, alguns grupos de ativistas pelos direitos de imigração também já pediram a um juiz federal de Los Angeles que ordenasse a libertação imediata dos pais e a reunião das famílias.

Donald Trump anunciou na passada quarta-feira a suspensão da sua política de “tolerância zero”, mas parece ser uma decisão temporária, tendo em conta as declarações do comissário da Proteção das Fronteiras e Alfândegas, Kevin McAleenan, que esta semana reconheceu que as autoridades tinham abandonado, "por agora", a medida.

Também o secretário da Justiça, Jeff Sessions, veio defender a separação das famílias, durante um discurso no Estado do Nevada, no qual afirmou que muitas crianças são trazidas para a fronteira por membros de gangues violentos.