Uma gravação do discurso que o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, ia fazer após a aprovação do processo de destituição da presidente Dilma Rousseff foi divulgada na imprensa brasileira, antes da votação ocorrer.

O vice-presidente, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e natural substituto ao cargo de Dilma se ela for, de facto, destituída, fala dos seus planos para um futuro Governo, e no que tem de ser feito para que seja retomado o crescimento do país.

O discurso seria lido após a votação da Câmara dos Representantes, que decidem se o processo segue para o Senado. Como a votação só acontece no próximo fim de semana, a mensagem seria destinada a um amigo, mas acabou por ser partilhada “por equívoco” num grupo do Whatsapp de deputados.

Na reação à divulgação do discurso, Temer afirmou que o ensaio serviu para preparar uma possibilidade, já que no caso da destituição de Dilma, ser-lhe-á exigida uma reação.

No discurso, Temer pede a ”união” de todos os partidos neste momento difícil do país, mais especificamente, na forma de um governo de “salvação nacional”, que possa tirar o Brasil da crise, corrigindo os erros do último executivo.

Aconteça o que acontecer no futuro, é preciso um governo de salvação nacional e, portanto, de união nacional. É preciso [reunir] todos os partidos políticos, que devem estar dispostos a colaborar para tirar o país da crise. Sem essa unidade nacional, penso que será difícil tirar o país da crise em que nos encontramos.”

Como escreve o Estadão, numa mensagem com quase 15 minutos, o vice-presidente do Brasil alerta para a necessidade de virem a ser pedidos “sacrifícios”, mas admite manter programas e prestações sociais populares dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), de que é exemplo o “Bolsa Família” – uma prestação que ajuda famílias em situação de pobreza.

Na gravação, Temer sublinha que é o Senado quem vai decidir, o que prova que o discurso seria feito entre a votação da Câmara e o início do processo.

Até imaginaria que poderia falar depois da decisão do Senado, mas sabem todos os que me ouvem que, quando houver situação definitiva, a decisão do Senado, preciso estar preparado para enfrentar os graves problemas que hoje afligem o país”.

Michel Temer já afirmou, em conferência de imprensa, que não alterava “um centímetro” do que disse. O vice-presidente reiterou que é preciso aguardar a decisão do Senado - quem realmente decide sobre o afastamento de Dilma Rousseff.

Não mudarei um centímetro daquilo que falei no passado. Não disse novidades, são teses que tenho sustentado ao longo do tempo”.

Este domingo, a Comissão Parlamentar da Câmara dos Representantes aprovou o processo de destituição da presidente Dilma Rousseff. O relatório do deputado Jovair Arantes do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) teve a aprovação de 38 votos a favor e 27 contra.