O Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu abrir um inquérito para investigar a Presidente com mandato suspenso, Dilma Rousseff, e o ex-Presidente Lula da Silva por alegadas tentativas de obstrução à Justiça, segundo a imprensa brasileira. 

A decisão, determinada pelo juiz Teori Zavascki, foi divulgada na terça-feira à noite pelos jornais Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, que citam fontes com acesso à investigação.

Em causa estarão alegadas tentativas de obstrução à Justiça no âmbito da Operação Lava-Jato.

A assessoria de imprensa de Dilma já reagiu à notícia, em comunicado. A nota divulgada refere que a abertura do inquérito "é importante para elucidar os factos e esclarecer que em nenhum momento houve obstrução à Justiça”. “A verdade irá prevalecer”, sublinha-se no final do texto.

Por sua vez, uma nota divulgada pelos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, indica que o ex-presidente nunca "praticou qualquer ato que possa configurar crime de obstrução à Justiça.”

“Lula não se opõe a qualquer investigação desde que observado o devido processo legal e as garantias fundamentais", refere o mesmo comunicado.

Dado que o processo está sob sigilo, a abertura do inquérito não foi confirmada pela assessoria do STF.

A notícia surge depois de Dilma Rousseff ter apelado à convocação de novas eleições, na terça-feira.

No Palácio de Alvorada, Dilma leu uma mensagem em que reafirmou a sua inocência, admitiu erros e defendeu que a solução para a crise política e económica que o Brasil atravessa passa pelo voto popular em eleições diretas.