Sacha Harland decidiu passar um mês sem consumir produtos que contivessem açúcar, álcool, ou que fossem simplesmente "junk food".

O jovem confessa que os primeiros dias foram os mais difíceis, mas não desistiu. A experiência foi feita para o documentário, "Guy gives up added sugar and alcohol for 1 month" ("Um rapaz abre mão do açúcar e álcool por 1 mês"), realizado pela produtora holandesa LifeHunters.

Na primeira semana, a dieta de Harland baseou-se em sumos naturais, frutas, legumes e outros alimentos não processados. Durante esse período, sentiu muita fome e falta de energia.

A falta de alternativas foi uma dificuldade que Sacha enfrentou com frequência. Mesmo os produtos que não são considerados doces, como as batatas fritas, o molho de tomate e as sopas enlatadas, contêm sacarose - elemento proibido nesta provação.

"O mais difícil foi a primeira semana e meia. Tinha que me habituar  ao que podia ou não comer e foi complicado. Mas depois fui-me habituando a ler as etiquetas dos produtos", disse à BBC.

 
O documentário mostra, no entanto, que 25 dias depois de ter iniciado a dieta, Harland começou a sentir, finalmente, os benefícios da nova rotina.
 

"A última semana está prestes a terminar, e levanto-me com mais facilidade e tenho mais energia. Foi uma surpresa agradável e nunca pensei que ia sentir-me tão diferente."


Uma médica especializada em desporto confirma que esta sensação é fruto de uma verdadeira mudança no corpo de Harland. Os exames mostraram que o jovem perdeu 4 quilos, teve uma redução de 8% no colesterol e a pressão sanguínea baixou desde que iniciou a experiência.

"Já que é cada vez mais difícil comer alimentos saudáveis, queríamos saber como se sente uma pessoa que renuncia ao açúcar, ao álcool e aos aditivos alimentares durante um mês, e como isso afeta o seu corpo e a sua condição física", afirma Erik Hensel, diretor da LifeHunters.


O filme já foi visto no Youtube por mais de 4 milhões de pessoas.
 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dose diária recomendada de açúcar numa "dieta saudável ótima" é equivalente a 5% do total de calorias ingeridas. A recomendação da OMS para uma pessoa adulta é de um consumo de 2.000 calorias por dia. Assim, a quantidade normal de açúcar seria consumir 25 gramas, ou 6 colheres de chá, e no máximo 50 gramas por dia.
 

"Consumir mais de 20% das calorias diárias em açúcar pode provocar enjoo, tremores, transpiração e uma ligeira dor de cabeça. Mas, para isso, a pessoa teria de passar o dia, por exemplo, a ingerir muitas colheradas de açúcar ou refrigerantes", explica Damuel Durám, presidente do Colégio de Nutricionistas do Chile.

"O mais provável é que outra pessoa não tenha as mesmas sensações" do jovem do documentário, acredita o especialista.



Eduard Baladía, coordenador da revista  Evidência Científica e membro da Fundação Espanhola de Dietistas-Nutricionistas, é mais assertivo.
 

"O filme não tem nenhuma validade científica. A amostra é muito pequena: de uma só pessoa. Além disso, não é um estudo controlado, porque não tem em conta outros fatores (além da mudança de dieta) ou mudanças que o jovem possa ter feito consciente ou inconscientemente, como, por exemplo, fazer mais exercício físico".




Da sua parte, o protagonista do documentário, o holandês Sacha Harland, garante que seguirá a recomendação médica, mas sem "ficar obcecado".

"Decidi procurar o equilíbrio entre os açúcares e os alimentos saudáveis, já que optar por um ou pelo outro pode trazer muita felicidade. Essa foi a principal conclusão que tirei desta provação."