O Papa Francisco nomeou, esta terça-feira, uma comissão para estudar o diaconado feminino na Igreja primitiva e assim esclarecer se será possível, ou não, ordenar diaconisas na Igreja Católica atual. A questão divide a Igreja e, a concretizar-se, representaria uma mudança histórica dentro da instituição.

De acordo com o boletim diário do Vaticano, o arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer foi indicado para presidir ao grupo, que será composto por outros seis homens e seis mulheres de instituições académicas.

Entre os membros da comissão estão especialistas em Teologia, Eclesiologia e Espiritualidade. Mary Melone, que dirige a Pontifical University Antonianum, em Roma, e Phyllis Zagano, pesquisadora da Hofstra University, em Nova Iorque, estão entre as escolhidas.

De acordo com o National Catholic Reporter, em maio Francisco já tinha manifestado a intenção de criar uma comissão oficial que poderia estudar a questão do diaconado das mulheres.

A 12 de maio, numa audiência com a União Internacional de Superiores-gerais de ordens religiosas femininas, o Papa respondeu de forma afirmativa ao pedido de uma das representantes no sentido de reabrir o debate sobre diaconisas.

“Criar uma comissão oficial para estudar a questão? Acredito que sim. Seria bom para a Igreja clarificar este ponto. Estou de acordo, farei algo sobre isto”, disse, na altura, o Papa Francisco, de improviso, depois do pedido feito pelas freiras.

A criação de uma comissão para estudar o assunto não deve ser confundido com uma simples luz verde para a possibilidade de ordenar diaconisas na Igreja Católica, nem se pode dizer que esta seja a primeira vez que Roma se debruça sobre o assunto.

Existem referências históricas e até bíblicas a diaconisas na Igreja primitiva, mas não é claro qual era a natureza do ministério que exerciam. Em 2002, uma comissão do Vaticano analisou o assunto, questionando se no caso das diaconisas dos primeiros séculos o termo implicava uma ordenação sacramental, ou se era apenas um termo usado para designar mulheres com um ministério particular, mas não ordenado, na Igreja. Essa comissão não chegou a qualquer conclusão definitiva.

De acordo com a teologia católica existem três graus para o sacramento da Ordem: o diaconado, o sacerdócio e o episcopado. Mesmo que se conclua que o diaconado feminino é uma possibilidade de acordo com a tradição, os mais recentes Papas, incluindo Francisco, rejeitaram a possibilidade de ordenação sacerdotal, e por isso também episcopal, de mulheres. João Paulo II declarou em 1994 que a Igreja não tem autoridade para mudar a tradição neste sentido.

Os diáconos podem exercer algumas funções dentro da Igreja, incluindo a pregação e presidindo a celebrações da Palavra, batismos, casamentos ou enterros, mas não podem administrar o sacramento da confissão nem a unção dos doentes, nem celebrar missa.