Milhares de pessoas manifestaram-se, este domingo, na Catalunha contra a detenção do ex-presidente do Governo Regional da Catalunha e a prisão de cinco políticos independentistas catalães.

Mas, o que parecia ser um protesto pacífico, rapidamente escalou em violência. Em frente à delegação do Governo e em várias ruas de Barcelona, em que manifestantes incendiaram dezenas de contentores de lixo, a polícia regional fez nove detenções por atentado à autoridade e identificou várias pessoas que estavam nas manifestações convocadas pelos autodenominados Comités de Defesa da República, incluindo um agente da polícia catalã que não estava de serviço.

Nos confrontos, 100 pessoas ficaram feridas, entre as quais 23 polícias, tendo de ser assistidas pelos serviços de emergência.

"Os Serviços de Emergência Médica realizaram, no total, 100 assistências médicas na sequência das mobilizações desta tarde e noite, principalmente devido por contusões: 92 em Barcelona, todos eles ligeiros (23 deles Mossos d'Esquadra), 7 em Lleida e 1 em Tarragona", pode ler-se no Twitter do SEM.

Os comités desconvocaram ao fim da noite os protestos em Barcelona mas os confrontos com a polícia persistiram, com contentores queimados, barricadas nas ruas e arremesso de objetos contra os polícias.

A polícia antimotim carregou várias vezes sobre os manifestantes para os dispersar, acabando por quebrar o cerco ao edifício da delegação do Governo central de Madrid.

Manifestação em Bruxelas

Dezenas de manifestantes exigiram em Bruxelas liberdade para os políticos independentistas catalães presos, coincidindo com a detenção na Alemanha do ex-presidente do governo regional catalão Carles Puigdemont, refugiado na Bélgica há quase cinco meses.

A concentração, convocada pela Assembleia Nacional Catalã (ANC), antes da detenção hoje de Puigdemont quando regressava de uma deslocação à Finlândia, teve lugar junto à sede da Comissão Europeia e viam-se cartazes com frases a pedir liberdade "para os presos políticos" e contra o silêncio da União Europeia (UE).

Os presentes gritaram frases como "Viva a Catalunha, viva a república" e contra o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, ("Rajoy, criminoso").

"É uma Espanha de tempos franquistas. Quanto à Catalunha, é uma Espanha que não conhece o diálogo, que põe as pessoas na prisão por risco de fuga", disse, em declarações à Efe, Núria Bordes, membro da ANC, considerando que a acusação de rebelião "não tem qualquer justificação".

O eurodeputado nacionalista flamengo Mark Demesmaeker considerou, por sua parte, que a detenção na sexta-feira de cinco políticos independentistas catalães e hoje de Puigdemont constitui "uma escalada" da tensão.

"A Europa está construída com base em valores democráticos, em direitos e liberdades de cidadãos livres de exercer os seus direitos políticos e claramente esse não é o caso de Espanha", considerou, pedindo "diálogo" e "negociação" para resolver esta crise política.

A polícia alemã deteve hoje Puigdemont junto à fronteira com a Dinamarca.

A detenção acontece na sequência de um mandado de detenção europeu e internacional por parte do Supremo Tribunal espanhol, que na sexta-feira decidiu também aplicar prisão efetiva sem fiança a cinco políticos independentistas catalães, acusados de delito de rebelião, no quadro da tentativa de criação de uma república independente na Catalunha.

*Notícia inserida às 18:02