A jovem cigana expulsa de França e deportada para o Kosovo foi agredida por desconhecidos hoje, juntamente com a família, na cidade de Mitrovica, local onde a família reside atualmente desde a deportação, adiantou fonte policial.

«Os Dibrani estavam a passear em Mitrovica com os seus filhos quando foram agredidos por desconhecidos», disse à AFP uma fonte policial que pediu anonimato.

A mãe de Leonarda, Xhemaili, de 41 anos, «foi esbofeteada e está hospitalizada, enquanto as crianças, que ficaram em estado de choque, estão na esquadra da polícia», acrescentou a mesma fonte.

«Isto demonstra que os Dibrani não estão em segurança aqui», acrescentou a fonte.

O presidente francês François Hollande disse que a estudante cigana, deportada para o Kosovo, poderia regressar a França caso fizesse o pedido formal, mas sem a família.

O caso da deportação da jovem cigana, de nome Leonarda Dibrani, provocou uma forte polémica em França, e está já marcado pela realização de vários protestos contra a forma como a jovem foi expulsa do país.

«Se ela fizer o pedido, e se ela quiser continuar a estudar, poderá regressar, mas apenas ela», disse Hollande, numa declaração televisiva, fazendo pela primeira vez um comentário sobre este assunto.

O presidente citou também os resultados de um relatório publicado no sábado que dava conta que a deportação foi feita de forma legal, mas que a polícia poderia ter lidado com o caso de melhor forma.

Dibrani respondeu entretanto à proposta de Hollande para dizer que recusa voltar a França se não puder ir com a família.

«Não regresso a França sozinha, não abandono a minha família. Não sou a única que precisa de ir à escola, os meus irmãos e irmãs também precisam», disse a jovem, num francês fluente.

O pai Resat, de 47 anos, acrescentou que a família não se vai dividir e que pretende regressar a França seja por que meios for, de forma legal ou ilegal.

Os pais e cinco irmãos viveram em França por quatro anos enquanto o seu processo de asilo esteve em apreciação. Acabou por ser rejeitado no verão.

Entretanto, o ministro francês do Interior, Manuel Valls, garantiu hoje que a polémica em torno da deportação da aluna de origem kosovar não o fará mudar de estratégia e que a família não será autorizada a regressar.

Numa entrevista ao semanário «Journal du Dimanche», o ministro, que está no centro da polémica, sublinhou que a decisão de expulsão foi justificada.

Segundo os resultados hoje divulgados de um inquérito realizado junto de 1.090 pessoas entre quinta e sexta-feira, 74% das pessoas dizem aprovar a postura do ministro do Interior neste caso.