O líder do espanhol Partido Socialista Obrero Español (PSOE), Pedro Sánchez, demitiu-se após ter perdido uma importante votação ao início da noite, no Comité Federal do partido que dirigia e na qual pretendia ver aprovada a realização de um Congresso Extraordinário, precedido de eleições primárias.

Após uma discussão que durou mais de 10 horas, o secretário-geral do PSOE conseguiu que fosse votada a realização de um congresso extraordinário, mas disse que se demitia se perdesse a votação - o que aconteceu.

Perdeu a votação e apresentou a demissão.

"Para mim foi um orgulho e apresento a minha demissão. Foi uma honra", declarou Pedro Sánchez, pouco depois de ter sido conhecido o resultado.

Pedro Sánchez tinha prometido afastar-se se não fossem aceites as suas propostas para convocar eleições primárias para o cargo de secretário-geral, a 23 de outubro, e um congresso extraordinário, a 12 e 13 de novembro.

A Espanha continua sem Governo e a esta indefinição junta-se a confusão instalada no maior partido da oposição.  Nos últimos dias, mais de metade da direção do PSOE demitiu-se para forçar a saída do líder, mas Pedro Sánchez resistiu até hoje.

Entretanto, o comité federal do PSOE aprovou que uma comissão gestora dirija o partido após a demissão do secretário-geral e até à realização de um congresso extraordinário. A comissão gestora do PSOE espanhol vai ser liderada pelo presidente das Astúrias, Javier Fernández.

A decisão de nomear uma comissão gestora foi adotada após 16 horas de reunião do comité federal, com um apenas voto contra e uma abstenção.

Esquerda Unida diz que saída de Sánchez beneficia PP

O líder da Esquerda Unida, Alberto Garzón, considerou hoje que com a demissão do secretário-geral do PSOE é uma vitória para Partido, Partido Popular (PP).

O PP “ganhou” disse Garzón na sua conta da rede social 'twitter' depois de Sánchez ter anunciado esta tarde a sua demissão.

“O PP ganhou a votação na rua Ferraz”, escreveu Garzón.

A imprensa espanhola fala do nome de Susana Díaz, a presidente da Junta da Andaluzia, que já formou alianças com outros partidos para governar a nível regional, como o Podemos. Díaz é considerada mais pragmática que Sánchez, e pode ser alguém capaz de deixar passar um governo liderado pelo PP, em troca do afastamento de Mariano Rajoy. Desbloqueando a situação política em Espanha, que continua sem governo desde as eleições inconclusivas de 20 de dezembro de 2015. Uma situação que ameaça levar os espanhóis às urnas pela terceira vez consecutiva e sem governo formado.

Nas reações que se seguiram à demissão do secretário-geral do PSOE, líder do PSC, Miquel Iceta, considerou inevitável a saída de Sánchez mas esta “impede a procura de uma maioria alternativa ao PP.  Agradeço uma vez mais a sua valentia”, afirmou Iceta, classificando de “decisão errada” a rejeição do comité federal à realização de um congresso extraordinário.

Já o líder do Podemos, Pablo Iglesias, lamentou que com a demissão de Sánchez, se tenham imposto no partido aqueles que pretendem dar o governo ao PP.

“Impuseram-se no PSOE os apoiantes em dar o governo ao PP. Face ao governo da corrupção, nós continuaremos com [as pessoas] e pelas pessoas”, afirmou Iglesias após a demissão de Sánchez, citado pela EFE.

Entretanto, também o presidente do partido Ciudadanos, Albert Rivera, vei afirmar que "os espanhóis não têm mais tempo nem merecem mais bloqueio" político, numa primeira reação à demissão de Pedro Sánchez.

"Ninguém está à frente de Espanha, só seguiremos em frente com mudanças e diálogo", assinalou Rivera, na sua conta pessoal na rede social Twitter.

Martin Schulz: Espanha e UE necessitam de um PSOE forte e unido

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, afirmou hoje que Espanha e a União Europeia "necessitam de um PSOE forte e unido", numa reação à demissão de Pedro Sánchez como secretário-geral do partido.

"O meu agradecimento a Pedro Sánchez pelo seu trabalho e compromisso com a Europa e com os progressistas. Espanha e a União Europeia necessitam de um PSOE [Partido Socialista Operário Espanhol] forte e unido", disse Schulz na sua conta pessoal na rede social Twitter.

O dirigente social-democrata alemão transmitiu a mensagem horas depois de Pedro Sánchez ter anunciado a sua demissão, após o comité federal socialista ter rejeitado a sua proposta para a realização de eleições primárias e de um congresso extraordinário.