Herculano Barnabé Gomes era um dos homens de confiança de Nino Vieira. Foi ao lado deste homem que o Presidente fugiu em 1999 para a embaixada portuguesa durante o golpe de Estado e foi com ele que passou as últimas horas de vida, quando foram surpreendidos pelo ataque.

Segundo Barnabé Gomes, numa entrevista telefónica à Rádio Renascença, apesar de ser já de madrugada, o atentado apanhou Nino Vieira no meio de uma reunião de trabalho onde elaborava um comunicado sobre a morte do chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. «Estávamos a preparar a agenda de trabalhos para o dia seguinte com mais dois assessores», recorda Barnabé Gomes.

Herculano foi ferido num braço, mas conseguiu fugir, contudo Nino Vieira não se escondeu. «Não fugiu, ele ficou lá na residência, ficou lá dentro», afirma o assessor. O que aconteceu ao Presidente nos minutos a seguir, o conselheiro de imprensa não sabe.

Questionado sobre as suas perspectivas pessoais, respondeu que o «tudo está na mãos de Deus», mas pensa que «tudo vai correr bem».

Nino Vieira foi assassinado no dia 2 por militares, depois de no domingo um atentado à bomba ter provocado a morte ao chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waie.