Chegou de BMW e saiu de Jaguar do Palácio de Buckingham, já convidada formalmente pela rainha Isabel II para formar governo. Theresa May aceitou e tornou-se assim a 13ª chefe do governo britânico no reinado de Isabel II, atualmente com 90 anos.

À porta da residência ofical, no nº 10 de Downing Street, a nova primeira-ministra louvou o trabalho feito pelo seu antecessor, David Cameron, um "primeiro-ministro moderno", e salientou que tudo fará para preservar a unidade da Grã-Bretanha e que os mais fracos serão a sua prioridade.

Não os poderosos, nem os ricos, nem os poucos privilegiados" estarão nas atenções de Theresa May, segundo as palavras da própria, mas sim as pessoas que trabalham.

Além do foco sobre as questões sociais britânicas, Theresa May abordou também a questão do Brexit, já que deverá agora negociar a saída do Reino Unido, da União Europeia. Com o marido Philip atrás, sublinhou que o país pode ressurgir como sempre o fez no passado, assumindo "um novo papel positivo" no mundo.

Antes do convite da rainha a Theresa May para formar governo, a monarca recebeu o demissionário David Cameron. Cumprindo a decisão anunciada após o referendo que decidiu a saída do país da União Europeia, Cameron entregou a carta de demissão à Rainha Isabel II, deixando o lugar que ocupava desde 2010 para Theresa May, líder do Partido Conservador.

Cheguei à Downing Street [rua onde fica a residência oficial do primeiro-ministro] para confrontar os nossos problemas enquanto país e liderar os britânicos através de decisões difíceis, para que juntos pudéssemos alcançar tempos melhores. Saio com a esperança que as pessoas vejam [que o país está] mais forte, uma economia que floresce e melhores hipóteses para uma vida melhor”, afirmou Cameron ao The Telegraph.

Antes, Cameron passou pelo parlamento britânico onde respondeu pela última vez como primeiro-ministro às questões dos deputados britânicos. Entre criticas e elogios, o ex-líder dos conservadores deixou uma mensagem concreta da sua visão para o futuro do Reino Unido: a manutenção de uma relação próxima com a União Europeia após o Brexit.

O Reino Unido deve procurar manter-se o mais próximo possível da União Europeia".

 

O Governo de Theresa May

Os nomes do governo de Theresa May começaram a ser anunciados poucas horas depois da primeira-ministra ter aceite o convite da Rainha Isabel II.

Boris Johnson foi nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros, anunciou o gabinete da nova primeira-ministra, Theresa May.

A rainha aprovou a nomeação de Boris Johson como ministro dos Negócios Estrangeiros”, declarou o gabinete da primeira-ministra em comunicado.

Para o cargo de ministro responsável pelo Brexit, Theresa May nomeou o deputado David Davis, que deverá negociar a saída do Reino Unido, segundo comunicado de Downing Street: “A rainha aprovou a nomeação de David Davis como ministro encarregado da saída da União Europeia”.

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Depois destes dois nomes, seguiram-se novas nomeações. Amber Rudd foi nomeada a ministra do Interior, enquanto Michael Fallon assume a pasta da Defesa. Já Liam Fox é o próximo ministro do Comércio Externo e Philip Hammond substituirá George Oborne como ministro das Finanças.

Theresa May, até agora ministra britânica do Interior, é a segunda mulher a ocupar o cargo, 26 anos depois de Margaret Tatcher, que governou o Reino Unido entre 1979 e 1990. A líder dos “Tories” tornou-se a única candidata ao lugar de Cameron na segunda-feira, depois da desistência de Andrea Leadsom.

May chega ao poder num momento de viragem na história do Reino Unido. Apesar de eurocética, não apoiou a saída do país da União Europeia, mas terá de negociar a decisão tomada pelos britânicos com Bruxelas. Poderá também ter de bater-se pela manutenção da unidade do seu país, já que a Escócia e a Irlanda do Norte, após o voto dos seus cidadãos contra o Brexit, voltam a acenar com desejos de independência.