Um moçambicano morreu no fim-de-semana na cidade de Joanesburgo, África do Sul, vítima de xenofobia, disse o cônsul de Moçambique na cidade, Damasco Mate, em declarações ao Notícias, diário de maior circulação em Moçambique.

Segundo o Notícias, o moçambicano morreu no sábado ao ser atingido por golpes de instrumentos contundentes por um grupo de jovens sul-africanos e dedicava-se à venda de cartões de recargas de telemóvel e cigarros.

O cônsul de Moçambique em Joanesburgo contou que muitos moçambicanos fugiram das suas casas no fim-de-semana, refugiando-se em esquadras da polícia por temerem ataques.(Corrige no segundo parágrafo a referência ao cônsul)

Os casos registados no fim-de-semana são os primeiros em Joanesburgo relacionados com a violência xenófoba, que começou na província de Kwazulu Natal, há mais de duas semanas.

400 moçambicanos fugidos da xenofobia chegam amanhã a Moçambique

Cerca de 400 moçambicanos fugidos da violência xenófoba na África do Sul são esperados na terça-feira no centro de trânsito de Boane, sul de Moçambique, disse à Lusa o Instituto Nacional das Comunidades Moçambicanas no Exterior.

Segundo o diretor-adjunto do Instituto Nacional das Comunidades Moçambicanas no Exterior, Armando Chissaque, os repatriados serão depois transportados para as suas zonas de origem em Moçambique em autocarros fretados pelas autoridades moçambicanas.

«No centro de trânsito, vão ficar poucos dias, porque o desejo é que voltem para as suas zonas de origem», declarou Chissaque.

O grupo esperado na terça-feira segue-se à chegada na semana passada de 107 moçambicanos em fuga da violência contra estrangeiros na África do Sul, dos quais 103 já se encontram nas suas zonas de origem, permanecendo no centro de trânsito apenas quatro pessoas, duas da província de Gaza, sul do país, e duas da província do Niassa, norte do país.

PR moçambicano pede intervenção imediata do Governo sul-africano

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, apelou ao Governo sul-africano para desencadear uma ação presencial e imediata contra a violência xenófoba, considerando os ataques «horríveis e chocantes».

«Apelamos ao Governo da África do Sul para desencadear uma intervenção presencial e imediata e apelamos aos nossos compatriotas para não retaliarem», afirmou Filipe Nyusi, falando na tomada de posse dos vice-reitores da Universidade Pedagógica e da Universidade do Zambeze.

Nyusi qualificou os ataques aos estrangeiros como «horríveis e chocantes», que demonstram total desprezo pela vida, enfatizando que o país está determinado a prestar a assistência necessária aos moçambicanos vítimas da violência na África do Sul.

Três moçambicanos morreram vítimas de xenofobia na África do Sul e cerca de 600 estavam refugiados em centros de Durban.

O Governo moçambicano tem reiterado apelos para que se evitem atos de represálias contra cidadãos sul-africanos residentes em Moçambique, face à recusa de trabalhadores moçambicanos em permitir que os seus colegas sul-africanos continuem a trabalhar em território moçambicano devido à xenofobia na África do Sul.