O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considerou, esta sexta-feira que a Sony «cometeu um erro» ao cancelar o filme «Uma Entrevista de Loucos», depois das ameaças cibernéticas de que foi alvo.
«A Sony sofreu danos significativos. Houve ameaças contra os seus colaboradores. Estou solidário com as preocupações que enfrentou. Dito isto, considero que cometeram um erro», disse Barack Obama, numa conferência de imprensa de final de ano.
 
Obama considerou que «não podemos viver numa sociedade onde um qualquer ditador pode começar a impor censura aqui nos Estados Unidos».

Se alguém é capaz de intimidar concidadãos nossos por causa de um filme satírico, imaginem o que podem fazer quando virem um documentário de que não gostem ou notícias de que não gostem. Ou pior: imaginem se produtores e distribuidores começarem uma auto-censura por não quererem ofender as sensibilidades de alguém cujas sensibilidades provavelmente necessitam precisamente de ser ofendidas», disse ainda.
 

O Presidente norte-americano garantiu que Washington «responderá de forma proporcionada» à Coreia do Norte. A acusação do envolvimento dos norte-coreanos num ataque informático aos estúdios de cinema Sony Pictures foi feita pela polícia federal norte-americana (FBI), depois de a empresa ter cancelado o lançamento do filme «Uma Entrevista de Loucos» («The Interview», no título original).
 
O filme, protagonizado pelos atores Seth Rogen e James Franco, conta a história de dois jornalistas que são recrutados pela CIA para assassinarem o líder da Coreia do Norte.
 
Na mesma conferência de imprensa, Barack Obama falou sobre Cuba e disse que Havana continua a reprimir os cidadãos cubanos e que não espera mudanças repentinas acerca disso, em resultado da normalização de relações entre os dois países.
 

«O que eu sei, do fundo do coração, é que, se fizeram algo durante 50 anos e nada mudou, deve-se tentar uma estratégia diferente», acrescentou.

 
Obama sublinhou ainda que as relações entre os dois países ainda não estão num estágio que implique uma visita sua à ilha ou que Raul Castro visite os Estados Unidos. Mas Obama disse que «é um homem novo» e que espera visitar Cuba, apesar de ainda não ter planos para tal.
 
O parlamento cubano ratificou esta sexta-feira, por unanimidade o acordo alcançado entre Havana e Washington para normalizar as relações entre os dois países, após mais de meio século de hostilidade.

Raul Castro presidiu a reunião semestral do parlamento cubano, numa sessão que foi muito focada na renovação das relações da ilha comunista com os Estados Unidos.