Um antigo líder de uma tríade de Macau angariou, em menos de cinco minutos, 750 milhões de dólares (640 milhões de euros) para a sua nova criptomoeda (HB), noticiou no domingo o jornal South China Morning Post.

De acordo com a edição de domingo do jornal de Hong Kong, o objetivo de Wan Kouk-koi, mais conhecido como "Dente Partido", é lançar, com uma empresa de Pequim, torneios de xadrez e póquer na ilha de Hainão, no sul da China.

O antigo líder do ramo de Macau da tríade chinesa 14K lançou uma oferta inicial de moeda num evento no Camboja, no qual estiveram presentes responsáveis governamentais e militares, empresários e celebridades da China continental e de Hong Kong, afirmou o jornal.

No total, a empresa de Wan, World Hung Mun Investment, indicou ter vendido 450 milhões de 'tokens' da criptomoeda HB em três eventos no Camboja, Tailândia e nas Filipinas. O próximo e final evento vai acontecer na quarta-feira, na Malásia.

Os primeiros torneios de xadrez e póquer deverão acontecer em outubro, em Hainão (sul), e Wan deverá garantir os prémios em 'token', de acordo com o jornal.

A empresa de "Dente Partido" está a planear emitir mil milhões de 'tokens' na criptomoeda HB, sendo parte do montante para pagar os prémios dos torneios de xadrez e póquer.

Parceria

No início deste mês, a empresa Zhonggongxin Cosmos (Pequim) Internet Technology Limited, que organiza jogos de xadrez e póquer 'online', afirmou ter assinado um acordo com a companhia de investimento de Wan para uma parceira em torneios de xadrez e póquer em Hainão.

Guo Jia, funcionário da Zhonggongxin, com autorização exclusiva do Governo chinês para organizar dois tipos de jogos de póquer, disse que o torneio de outubro pode prolongar-se por todo o ano.

Os prémios, no valor total de mais de 10 milhões de yuan, vão ser pagos pela World Hung Mun e outros parceiros.

Criptomoedas na mira

Em fevereiro, a China anunciou que iria tentar travar o uso de criptomoedas como a Bitcoin, incluindo o encerramento de firmas que negoceiam em moedas virtuais e respetivas plataformas de intercâmbio.

A agência chinesa detalha que o banco central chinês quer encerrar todas as plataformas que fazem transações de moedas criptografadas.

Em setembro do ano passado, o banco central chinês e seis ministérios do país emitiram um comunicado conjunto a declarar a ilegalidade das moedas virtuais.

Pequim ordenou então às empresas que comercializam aquela moeda que não registem novos utilizadores.

As autoridades proibiram ainda os bancos e empresas de pagamentos que realizem transações de grandes valores com moedas virtuais.

A China é o maior consumidor e produtor mundial de bitcoins. Segundo dados citados pela imprensa chinesa, mais de 90% do comércio global da moeda chegou a ser feito na China.

Ao contrário das divisas físicas, como o euro e o dólar, os Bitcoins não são regulados por bancos centrais, sendo gerados por milhares de computadores em todo o mundo.