O Ministério Público britânico identificou, no ano passado, cerca de cem suspeitos de crimes de guerra que fizeram pedidos de imigração ao país. A maior parte dos casos foi de pessoas que já estavam a viver no Reino Unido há alguns anos.

Os suspeitos são, de acordo com a BBC, oriundos do Afeganistão, Irão, Iraque, Líbia, Ruanda, Sérvia e Sri Lanka. O Ministério Público diz que está determinado em fazer com que o Reino Unido não se torne num «refúgio para criminosos».

Grupos dos Direitos Humanos têm-se esforçado nos pedidos de maior número de acusações criminais uma vez que os tribunais frequentemente bloqueiam a deportação no caso de os suspeitos virem a ser torturados ou mortos no país de origem.

Os dados a que a BBC teve acesso mostram que, desde janeiro de 2012, o Ministério Público britânico tratou de cerca de 800 casos em que as pessoas eram suspeitas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Michael McCann, presidente de um grupo parlamentar contra o genocídio, conta que tem «grandes receios que o Ministério Público não esteja a ser tão franco como devia» acrescentando ainda que devia dar-se importância «a estes casos de modo a dar ao público do país a segurança».

Os Direitos Humanos assumem que este tipo de situações demonstra a forma como se encaram os problemas internacionais e a falta de recursos para lidar com este tipo de problemas.

«A polícia precisa de mais recursos para investigar estes crimes porque é difícil investigá-los», admite Kevin Laue, conselheiro legal da Redress, uma organização que faz campanhas contra o genocídio.

«Isso, também, requer maior vontade política e comprometimento a um nível mais elevado para que sejam entregues as ferramentas essenciais para investigar», acrescentou.

Um porta-voz do Ministério Público referiu que «qualquer um dos acusados desse tipo de crimes deve ser julgado no seu país de origem e nós vamos sempre procurar fazê-los encarar a justiça».