O arsenal nuclear russo vai contar com mais quatro dezenas de mísseis balísticos intercontinentais. A decisão foi anunciada pelo presidente russo, Vladimir Putin, numa altura de elevada tensão com o Ocidente, por causa da Ucrânia.

“As nossas forças nucleares irão receber mais de 40 novos mísseis balísticos intercontinentais, que serão capazes de ultrapassar qualquer sistema de defesa antimíssil, até os mais avançados”, disse Putin, durante um discurso numa feira de armamento, em Kubinka, a oeste de Moscovo. 


Ladeado por oficiais, Putin não revelou mais detalhes sobre este armamento. Sabe-se, sim, que o alcance mínimo de um míssil intercontinental é de 5500 quilómetros.

Este anúncio surge um dia depois de responsáveis russos terem ameaçado retaliar se Washington avançasse com a intenção de colocar armamento pesado e blindados em países membros da NATO, junto à fronteira russa. 

"A sensação é que os nossos colegas dos países da NATO estão a empurrar-nos para uma corrida às armas", disse vice-ministro da Defesa russo, Anatoly Antonov, citado pela agência noticiosa RIA.

As relações entre a Rússia e o Ocidente atravessam o período mais tenso desde o fim da Guerra Fria, por causa da crise na Ucrânia.

O presidente russo tem dito que o Kremlin pretende manter o  arsenal atómico como elemento dissuasor contra o que considera serem ameaças crescentes de segurança e que Moscovo se reserva também o direito de colocar armas nucleares na Crimeia.