“Olha, um pássaro”, “É um avião”, “Não, é um caça russo!”; se o tivessem dito assim os marinheiros norte-americanos não estariam no campo do imaginário da BD. O vídeo que militares fizeram quando estavam no convés do contratorpedeiro USS Ross não deixa dúvidas: a 500 metros de distância do vaso de guerra dos EUA passa rasante e ruidoso um Su-24, caça russo.




Um encontro imediato de primeiro grau, ocorrido no dia 30 de maio, a 25 milhas da costa da Crimeia: península no sul ucraniano que em março de 2014 proclamou a independência da Ucrânia para, posteriormente, ser anexada pela Rússia. 

E é com base nesta apropriação indevida da Crimeia - assim a classifica a ONU, NATO, UE, e outras muitas siglas - que os meios de comunicação social russos deram conta do incidente, esclarecendo que os caças (seis, segundo alguma imprensa internacional) foram forçados a descolar para afastar o USS Ross das águas territoriais russas.

Sabe-se agora que os aparelhos ao serviço de Moscovo não estavam armados, no entanto, a imagem divulgada pela marinha norte-americana foi seguida, esta segunda-feira, de um aviso alarmante feito por Ashton Carter. À BBC, o Secretário de Defesa dos EUA antecipou um verão quente e propenso a ofensivas bélicas dos separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia contra as forças de Kiev. 

 “Estamos atentos às movimentações russas e às movimentações dos separatistas. É uma possibilidade muito séria e um perigo igualmente sério”, avançou o responsável máximo do Pentágono.

Embora não seja novidade avistarem-se aviões de guerra russos no espaço aéreo internacional - veja-se o que aconteceu em Outubro passado quando F-16 da Força Aérea Portuguesa escoltaram para fora do espaço nacional dois bombardeiros Tupolev -, por outro lado, o episódio reforça a tensão latente entre o ocidente e a Rússia de Vladimir Putin.