A Coreia do Norte publicou um relatório de 50 mil palavras em resposta às recentes críticas da ONU ao país. Para os vários organismos próximos do governo que redigiram o documento, as denúncias das Nações Unidas fazem parte de «uma campanha para deturpar a imagem do país», onde, o respeito pelos direitos fundamentais, «é o reflexo do sistema comunista».

Em contraste com o relatório que a ONU emitiu em fevereiro a dar conta de violações «sistemáticas e generalizadas» dos Direitos Humanos, Pyongyang pinta um quadro positivo. O regime da Coreia do Norte insiste que os cidadãos «desfrutam de genuínos direitos humanos» e diz que as «massas populares» estão livres de escravidão e de tortura. Um porta-voz do regime afirma que os direitos humanos são de extrema importância para o governo.

De acordo com o jornal britânico «The Guardian», Pyongyang já tinha dito antes que iria provar que o futuro é «brilhante e cor-de-rosa» para os cidadãos que vivem numa das sociedades mais fechadas do mundo, e mais conotadas com a violação de direitos humanos. O relatório acusa a ONU de agir como um «fantoche dos Estados Unidos» e de ter uma agenda orientada para interferir nos assuntos internos da Coreia do Norte.

No mesmo relatório, Pyongyang insiste que tem feito esforços no sentido da cooperação internacional, mas ressalva que a soberania do Estado é um dos princípios fundamentais da abordagem que faz dos direitos humanos e deve ser julgada procedente. A Agência de Notícias Central Coreana, órgão estatal, escreve que o produto acabado da publicação da ONU «põe a nu a natureza falsa e reacionária da visão de direitos humanos anti Coreia do Norte».

O relatório, elaborado pela Associação Norte-Coreana para os Direitos Humanos, refere que as ONG, os académicos e os especialistas de direitos humanos no país contribuíram para as conclusões que evidenciam as «características do sistema socialista», as políticas da Coreia do Norte e o desempenho «real» em matéria de direitos humanos.

O mesmo relatório também faz referência aos direitos sociais e culturais em vigor no país, incluindo a educação, a saúde e o «direito de participar em atividades científicas e culturais», bem como os direitos das mulheres, das crianças, dos idosos e das pessoas com deficiência.

O documento aponta o dedo de forma repetida os EUA e aliados, que acusa de serem «ricos em repugnância para com a Coreia do Norte».