O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação emitiu um comunicado a condenar fortemente o processo judicial contra o jornalista francês e membro do consórcio Edouard Perrin, e que visa ainda dois antigos funcionários da PricewaterhouseCoopers (PwC), no âmbito do caso Lux Leaks.

Edouard Perrin, o antigo auditor da PwC Antoine Deltour e outro antigo funcionário da PwC que não foi ainda nomeado serão presentes a um juiz no Luxemburgo esta terça-feira, para o início de um julgamento que deverá durar seis dias.

O diretor do consórcio, Gerard Ryle, considera que esta ação judicial contra Perrin "por simplesmente fazer o que lhe compete enquanto jornalista" é uma "afronta à liberdade de imprensa". Ryle acrescenta ainda que as fontes dos jornalistas - neste caso os empregados da PwC que forneceram os documentos - devem ser elogiadas e não condenadas.

"Os informadores devem ser elogiados, não condenados. Alguns dos maiores escândalos revelados nos últimos tempos dependeram inteiramente da coragem de pessoas dispostas a trabalhar com os jornalistas no sentido de expor aquilo que está errado.”

O Lux Leaks foi revelado a 6 de novembro de 2014 por 40 meios de comunicação internacionais, apoiados em documentos obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. A investigação revelou acordos secretos que mais de 300 empresas fizeram com o Governo do Grão-Ducado para fugir aos impostos noutros países. 

Os acordos, firmados entre 2002 e 2010, representam milhares de milhões de euros em receitas fiscais perdidas pelos Estados onde as empresas reportam os seus lucros 

Jean-Claude Juncker, que sucedeu a Durão Barroso na chefia do executivo comunitário, foi primeiro-ministro do Luxemburgo entre 1995 e 2013. 

Vinte e oito jornalistas dos 28 Estados membros (incluindo Rui Araújo da TVI, o único português que participa nesta investigação a que estão associados vários membros europeus do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação) processaram, em finais de novembro, o Parlamento Europeu por denegação de documentos administrativos. 

A instituição recusou facultar documentos relacionados com as despesas dos 751 eurodeputados e a queixa irá a julgamento no Tribunal Europeu de Justiça.